Marcha lenta na EN 260: agricultores exigem ministro da Agricultura em Serpa

Agricultores do concelho de Serpa saíram hoje à estrada em marcha lenta contra a subida dos custos de produção e exigem que o ministro da Agricultura vá a Serpa discutir as dificuldades do setor.

Tratores e outros veículos conduzidos por agricultores percorrem hoje de manhã em marcha lenta a estrada nacional 260 (EN260), junto a Serpa. A manifestação começou quando um grupo partiu, às 07h53, de Serpa pela EN260 em direção a Vila Nova de São Bento, igualmente no concelho de Serpa. Pouco depois, um outro grupo saiu desta localidade em direção a Serpa.

A meio caminho, na povoação de A do Pinto, os dois grupos de agricultores uniram-se e seguem agora juntos em direção à ponte do Guadiana, situada na periferia de Serpa, sempre sob o olhar atento de militares da GNR.

A marcha lenta é organizada pela Aproserpa – Associação de Produtores do Concelho de Serpa. Alguns dos veículos que participam transportam bandeiras de Portugal e outros têm cartazes com a frase «O nosso fim, a vossa fome».

Luís Horta, olivicultor e produtor de gado em Serpa, afirma que o setor atravessa grandes dificuldades: «As despesas são mais do que o lucro. Trabalhamos e não conseguimos dar vencimento às despesas». «O preço dos combustíveis está muito alto, os cereais também subiram e há escassez de certos produtos. Os preços estão pela hora de morrer», acrescenta, avisando que, perante esta situação, tenciona reduzir a atividade.

O olivicultor considera que os apoios do Governo «são medidas de milhões lançadas na televisão e nas redes sociais que nunca chegaram ao destino». Pergunta ainda qual é o verdadeiro destino das verbas anunciadas.

António Morgado, olivicultor e vice-presidente da Aproserpa, alerta que este ano, com «o preço do azeite a descer e o das prestações de serviço a subir», a azeitona de olivais tradicionais vai «ficar toda na árvore». «Chegarmos a este ponto é mau para todos, porque o Governo deveria ter olhos na cara, que não tem, para poder ajudar atempadamente quem precisa», sublinha.

Já João Revez, presidente da associação, salienta que «o custo dos fatores de produção está proibitivo». Adverte que esta situação impede os agricultores de avançarem com as operações necessárias para o início das culturas de outono/inverno. «As pessoas olham muito para a figura do agricultor de chapéu de palha e enxada às costas. Não, isto são empresas e um péssimo ato de gestão será avançarmos para as culturas de outono/inverno sabendo à partida que no final do ano vamos ter prejuízo», diz.

O presidente da Aproserpa exige a presença em Serpa do ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, para todos poderem discutir as dificuldades do setor. «Quando o senhor ministro diz que está a fazer o máximo, o máximo é pouco, porque resume-se a nada», critica. Acrescenta que o anunciado apoio total de 60 milhões de euros para reduzir o impacto da subida dos preços dos fertilizantes «não chega [a cada agricultor] para comprar 20 litros de gasóleo».

Na quarta-feira, em Beja, o ministro afirmou que o Governo está «a fazer o máximo» para apoiar o setor, perante o aumento dos preços dos combustíveis e fertilizantes, sem desequilibrar o Orçamento do Estado.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa

Fotografia: Nuno Veiga/Lusa

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