Celebrar a Clara. Tarefa recheada de luz e sombras, peripécias e aventuras, grandes conquistas académicas e mil deslumbres mediáticos.
Celebrar caustica. Tudo numa só pessoa, numa só mulher, ainda por cima provocante.
Celebrar a Clara “por fora” é desenhar uma linha que parecia infinita, desde o deleite africano da infância, passando pelos estudos de Biologia cruzados com jornalismo n’O Jornal, dias sempre recheados com toda a imaginação do mundo, mil histórias com muito mais estórias dentro.
Adorada como professora universitária ou revelada nos tempos da alfabetização no Alentejo e em Trás-os-Montes; desafiada na Ciência em Harvard, em Ahmerst, no Instituto Calouste Gulbenkian ou nas investigações de História da Ciência por que se apaixonou; devota de Stephen Jay Gould ou de Mísia… que miríade de pessoas dentro d’Ela só!
Que impossibilidade de a resumir, ou até mesmo de a contar numa pincelada.
A Clara, dizia o Presidente da Republica na sua despedida, é como os corpos celestes que rasgam o Céu, inesperados, muito visíveis, depois em nebulosa ou massa negra, depois em brilho ofuscante, depois invisíveis, mas sempre, para sempre, existentes.
É isso. Ficaremos a descobri-la durante muitos, muitos anos. Nos relatos. Nos livros. No que aparece deixado por ela feito, ou preparado, a cada dia novo. Nas pessoas que tocou anonimamente, e nos anónimos que por ela foram encorajados a ser mais e melhor. A que podiam ser mais eles. Nos testemunhos, que continuam a chegar.
Se nos faltar Imaginação, sabemos que podemos contar com ela. Bastará sintonia, bastará fazer-lhe jus à forma abundante com que se entregou a tudo e todos.
Em Estremoz, a Clara sentiu-se em casa. Foi acolhida. Inquirida, protegida, questionada, abraçada. Teve tudo, como quando estamos em casa.
Fez amigos, amigos que honramos por tanto a terem acompanhado.
Fez curiosos, que adorava surpreender.
Fez parte.
E por isso queremos celebrá-la, no primeiro mês sobre a sua Passagem, com todos os que se queiram juntar para brindar à sua Luz, à sua Imaginação, ao seu Rasto.
Dia 8 de Janeiro, na Igreja de S.Francisco em Estremoz pelas 18h00, Celebramos a Clara em tudo o que ela É.
Cada um saberá qual a faceta dela que celebra, cada um escolherá como brindar. Mas estaremos juntos: a família a agradecer a Estremoz pelo colo, e Estremoz a despedir-se com suavidade deste seu cometa.












Uma resposta
Para além da Missa, homenagear a Clara e tudo o que ela nos deixou, escolhendo Estremoz como.a sua última morada, lanço o repto para uma homenagem multifacetada de tudo o que nos deixou, também em Estremoz.
A. Sociedade Artistas Estremocense cede o seu espaço para esse possível evento.
Apareçam os promotores.