Margarida Pinto Correia: “Em Estremoz, a Clara sentiu-se em casa” – homenagem dia 8

Assinala-se no próximo dia 8 de janeiro um mês sobre a morte de Clara Pinto Correia, com a celebração de uma missa evocativa na Igreja de São Francisco, em Estremoz, às 18h00, iniciativa promovida pela família da escritora e cientista. Num texto enviado à nossa redação, Margarida Pinto Correia lembra que em Estremoz a irmã sentia-se "em casa".

Celebrar a Clara. Tarefa recheada de luz e sombras, peripécias e aventuras, grandes conquistas académicas e mil deslumbres mediáticos.

Celebrar caustica. Tudo numa só pessoa, numa só mulher, ainda por cima provocante.

Celebrar a Clara “por fora” é desenhar uma linha que parecia infinita, desde o deleite africano da infância, passando pelos estudos de Biologia cruzados com jornalismo n’O Jornal, dias sempre recheados com toda a imaginação do mundo, mil histórias com muito mais estórias dentro.

Adorada como professora universitária ou revelada nos tempos da alfabetização no Alentejo e em Trás-os-Montes; desafiada na Ciência em Harvard, em Ahmerst, no Instituto Calouste Gulbenkian ou nas investigações de História da Ciência por que se apaixonou; devota de Stephen Jay Gould ou de Mísia… que miríade de pessoas dentro d’Ela só! 

Que impossibilidade de a resumir, ou até mesmo de a contar numa pincelada.

A Clara, dizia o Presidente da Republica na sua despedida, é como os corpos celestes que rasgam o Céu, inesperados, muito visíveis, depois em nebulosa ou massa negra, depois em brilho ofuscante, depois invisíveis, mas sempre, para sempre, existentes. 

É isso. Ficaremos a descobri-la durante muitos, muitos anos. Nos relatos. Nos livros. No que aparece deixado por ela feito, ou preparado, a cada dia novo. Nas pessoas que tocou anonimamente, e nos anónimos que por ela foram encorajados a ser mais e melhor. A que podiam ser mais eles. Nos testemunhos, que continuam a chegar.

Se nos faltar Imaginação, sabemos que podemos contar com ela. Bastará sintonia, bastará fazer-lhe jus à forma abundante com que se entregou a tudo e todos.

Em Estremoz, a Clara sentiu-se em casa. Foi acolhida. Inquirida, protegida, questionada, abraçada. Teve tudo, como quando estamos em casa. 

Fez amigos, amigos que honramos por tanto a terem acompanhado. 

Fez curiosos, que adorava surpreender.

Fez parte.

E por isso queremos celebrá-la, no primeiro mês sobre a sua Passagem, com todos os que se queiram juntar para brindar à sua Luz, à sua Imaginação, ao seu Rasto.

Dia 8 de Janeiro, na Igreja de S.Francisco em Estremoz pelas 18h00, Celebramos a Clara em tudo o que ela É. 

Cada um saberá qual a faceta dela que celebra, cada um escolherá como brindar. Mas estaremos juntos: a família a agradecer a Estremoz pelo colo, e Estremoz a despedir-se com suavidade deste seu cometa.

Uma resposta

  1. Para além da Missa, homenagear a Clara e tudo o que ela nos deixou, escolhendo Estremoz como.a sua última morada, lanço o repto para uma homenagem multifacetada de tudo o que nos deixou, também em Estremoz.
    A. Sociedade Artistas Estremocense cede o seu espaço para esse possível evento.
    Apareçam os promotores.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Partilhar artigo:

ASSINE AQUI A SUA REVISTA

Opinião

CARLOS LEITÃO
Crónicas

BRUNO HORTA SOARES
É p'ra hoje ou p'ra amanhã

Caro? O azeite?

PUBLICIDADE

© 2026 Alentejo Ilustrado. Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por WebTech.

Assinar revista

Apoie o jornalismo independente. Assine a Alentejo Ilustrado durante um ano, por 30,00 euros (IVA e portes incluídos)

Pesquisar artigo

Procurar