O Rio Sado galgou a margem e inundou o Largo Luís de Camões, afetando lojas, restaurantes, cafés e salões de beleza aí localizados. João Almeida, sócio-gerente de uma empresa de contabilidade, diz que “a situação está a agravar-se” e que “ninguém sabe o que vais acontecer exatamente”.
“A maré continua a subir e já não falta muito tempo para atingir o seu pico”, afirmou o proprietário do escritório de contabilidade, recordando que, quando era miúdo, também assistiu a inundações nesta zona da cidade alentejana.
A água, que nunca tinha afetado o seu negócio, ‘trocou-lhe’ hoje ‘as voltas’, mas João Almeida conseguiu chegar a tempo salvar os papéis e todo o material de escritório, arrumando-os em cima em locais elevados.
Um outro proprietário, que tem uma gelataria na zona ribeirinha, refere que a situação está muito grave. “Já tenho água dentro do estabelecimento”, contou André Perdigão.
A água do Rio Sado continua a subir muito rapidamente e já chega à rotunda de acesso à ponte rodoviária metálica. A ‘navegarem’ rio fora há mesas, arcas, cadeiras e outros objetos.
As autoridades, que se encontravam num posto móvel operacional instalado na rotunda ao pé da Avenida dos Aviadores, retiraram entretanto esse e outros veículos, colocando-se numa zona próxima mas mais alta na cidade.
As escolas de Alcácer do Sal vão estar encerradas na quinta e na sexta-feira, devido ao agravamento das condições meteorológicas, afetando mais de mil alunos, que terão aulas em casa.
Fonte da Câmara Municipal refere que o fecho dos estabelecimentos de ensino nesses dois dias, medida que não inclui a escola da Comporta, abrange um total de 1.082 alunos da rede pública de ensino.
Em comunicado divulgado na sua página na rede social Facebook, o Município de Alcácer do Sal confirma o fecho temporário dessas escolas, mas acrescenta que foi decidida a criação de condições, se possível, para que as aulas prossigam em casa.
Está também cancelado o mercado previsto para este sábado e todas as atividades desportivas e culturais até ao final da situação de calamidade (domingo).
O nível de cheia na zona baixa da cidade ultrapassou hoje os 1,20 metros. Na estrada de Santa Luzia houve um deslizamento de terras, que obrigou à interdição da circulação automóvel e pedestre.
Há precisamente uma semana, durante a tarde, o Rio Sado galgou as margens em Alcácer do Sal e começou a inundar a Avenida dos Aviadores e frente ribeirinha.
Nesse dia, a Câmara de Alcácer do Sal procedeu logo à evacuação do lar de idosos da AURPICAS, situado nessa avenida, e transferiu os utentes para uma outra estrutura na zona alta da cidade pertencente à mesma instituição, ainda que alguns tenham preferido ficar em casa de familiares.
Desde então, devido à depressão Kristin e à chuva que não tem parado de cair, assim como às descargas que estão a ser efetuadas por diversas barragens – que estão cheias – para a bacia do Sado, as inundações têm-se sucedido, sobretudo na Avenida dos Aviadores, tendo outros moradores dessa zona sido retirados a seu pedido.
No local, estão instaladas diversas bombas de alta capacidade para procurar retirar a água que vem do rio, embora, na maré alta, o Sado volte a provocar inundações.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Rui Minderico/Lusa












