
Por ocasião do 20 de novembro, data em que se assinalou a Convenção dos Direitos da Criança, a Unicef deixou o alerta: “400 milhões de crianças em todo o mundo enfrentam a pobreza extrema”. No relatório elaborado com base em dados de 130 países e intitulado “Estado das Crianças no Mundo 2025: Erradicar a Pobreza Infantil – O Nosso Imperativo Comum”, a Unicef chama a atenção para o facto de 118 milhões de crianças enfrentarem três ou mais privações graves, relacionadas com a alimentação, o saneamento básico, a habitação.
Para além destas carências extremas, pairam sobre o futuro das crianças as ameaças decorrentes da crise climática (e das suas incidências na saúde e no bem-estar) e também o aumento dos conflitos a nível mundial – estima-se que uma em cada seis crianças viva numa zona de conflito militar.
Contrariamente às posições segundo as quais esta situação seria uma inevitabilidade, o Relatório mostra como é plausível fazer alguma coisa e apresenta exemplos concretos de como se pode transformar a realidade social e tomar medidas para garantir a saúde e o desenvolvimento de todas as crianças. Por exemplo: “Na Tanzânia, a pobreza infantil multidimensional caiu 46 pontos percentuais, graças a subsídios governamentais e maior autonomia financeira das famílias; no Bangladesh, caiu 32 pontos percentuais, com melhorias em educação, habitação e saneamento, eliminando a defecação ao ar livre”.
Na verdade, a erradicação da pobreza infantil deve ser assumida como um imperativo comum. E para isso basta que os governos alterem as prioridades políticas. Será assim tão difícil de perceber que, em vez da subida dos orçamentos para as questões militares, esta subida deveria ser direcionada para a saúde e para a educação? Será tão difícil perceber que, em vez da destruição e da guerra é bem melhor cuidar das necessidades básicas das crianças?
São necessárias ações urgentes, de atuação imediata para fazer face à crise climática e às crises humanitárias. Simultaneamente, é necessário que, quer os governos nacionais, quer as várias entidades internacionais, tomem medidas que sejam coerentes com os compromissos que assumiram em defender os direitos das crianças. É também importante que os cidadãos exerçam pressão para que tal aconteça. Porque nesta, como em muitas outras situações, todos têm uma parte de responsabilidade.
Como cidadãos temos uma palavra a dizer na rejeição de um sistema que acelera desigualdades, de um sistema em que uns ficam doentes por excesso (de comida e outros bens) e outros não têm acesso a água potável, a vacinas básicas, a alimentos. Precisamos de uma sociedade que cumpra mínimos de decência e isso só acontece quando a infância for considerada o valor fundamental a preservar. Precisamos de agir, usando os meios que temos à disposição, para que os poderosos do mundo acordem o seu coração empedernido!












