Marques Mendes: direção-executiva do SNS “está desaparecida em combate”

O candidato presidencial Marques Mendes classificou hoje como “chocantes” as recentes mortes alegadamente causadas por atrasos no socorro médico e acusou a direção-executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de estar “desaparecida em combate”. Foi durante uma ação de campanha em Ferreira do Alentejo.

Sem comentar os pedidos de demissão da ministra da Saúde por parte da oposição, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP admitiu que também Ana Paula Martins, “se entender”, poderá dar “uma palavra de explicação” sobre estas mortes, que considerou “chocantes”.

Durante uma visita à Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Alentejo, Marques Mendes foi questionado se não são “casos a mais”, depois de ser hoje conhecida uma nova morte, alegadamente devido a atrasos no socorro.

“É tudo de facto bastante chocante (…) espero e desejo que alguém de responsabilidade venha no mínimo explicar esta situação”, afirmou, apontando diretamente à direção executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Anda desaparecida em combate. Eu nunca fui favorável à criação da direção-executiva do SNS, expliquei que não era propriamente uma grande ideia, há uns anos atrás. Mas ela foi constituída, e foi constituída para ter atividade, iniciativa, ação, mas ninguém a vê a abrir a boca, a dar uma explicação, a fornecer um esclarecimento”, acrescentou.

Questionado sobre se a ministra da Saúde não deveria também dar explicações, o candidato admitiu que sim “Acho que sim. Acho que se entender, sim. Acho que, em primeiro lugar, a direção executiva do SNS, porque no momento em que foi criado o SNS, passou a ter a responsabilidade desta situação”,.

Sobre Ana Paula Martins, começou por dizer que “um Presidente da República não existe nem para avaliar ministros, nem para pedir a demissão em público de ministros”. Mas acrescentou: “A minha coerência disse sempre isso. Eu não vou andar a mudar de opinião. Agora, há responsabilidades, mas a primeira responsabilidade é dar uma explicação, é fornecer um esclarecimento”.

Marques Mendes salientou que as pessoas à frente da direção-executiva, liderada pelo antigo deputado do PSD Álvaro Almeida, “até são capazes”, mas refere que “não fica bem” a não existência de “qualquer palavra” perante estas mortes.

“Qualquer português de bom senso e com sentido de humanidade, perante estas situações que seguramente são diferentes e lamentáveis, querem que algum responsável, que tem que ser a direção executiva do SNS, venha a público”, afirmou.

Questionado se, caso fosse Presidente da República, chamaria o primeiro-ministro a Belém, Mendes reiterou que apelaria a explicações públicas de algum responsável: “Não é preciso chamar o primeiro-ministro, é apenas falar com o Governo. O Presidente da República tem de ser firme, tem de ser exigente a pedir explicações, informações, esclarecimentos, junto do país”.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.

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