O Presidente da República designou Miguel Bastos Araújo, professor catedrático da Universidade de Évora e investigador na área das alterações climáticas, como membro do Conselho de Estado.
A nomeação foi recebida pelo investigador com sentido de responsabilidade e destaque para o simbolismo da escolha. «Foi com honra e gratidão que recebi a nomeação para o Conselho de Estado. Procurarei corresponder a esta confiança com humildade, independência de espírito e sentido de serviço público», afirmou.
Miguel Bastos Araújo sublinhou ainda a relevância da presença da área ambiental neste órgão consultivo do Presidente da República. «Tanto quanto sei, é a primeira vez que a área do ambiente se encontra representada. Nos tempos que correm, em que as prioridades parecem ter-se desviado para outros terrenos, é um sinal que merece ser destacado», acrescentou.
Além do académico da Universidade de Évora, António José Seguro designou mais quatro personalidades para o Conselho de Estado, designadamente Alberto Martins, Isabel Capeloa Gil, Maria do Carmo Fonseca e Nuno Severiano Teixeira. A tomada de posse está marcada para esta sexta-feira, às 14h00, no Palácio de Belém.
Foram escolhas «orientadas por critérios de mérito, independência e pluralismo», garantiu o Presidente da República, realçando existir «apenas um membro com filiação partidária», Alberto Martins. «Mantive também o princípio de assegurar uma composição maioritariamente independente de filiações partidárias, integrando apenas um membro com filiação partidária (mas sem pertencer a órgãos partidários), reforçando a natureza livre e ideologicamente diversa», acrescentou.
Já sobre a nomeação de Miguel Bastos Araújo e da cientista Maria do Carmo Fonseca, considerou que o seu «percurso de excelência científica e intelectual constitui uma mais-valia para a reflexão estratégica do país, em particular nas áreas da saúde e das alterações climáticas».
Nascido em Bruxelas em 1969, Miguel Bastos Araújo é um dos principais especialistas internacionais no estudo das alterações climáticas e dos seus impactos na biodiversidade. Ao longo da sua carreira, tem sido distinguido com diversos prémios nacionais e internacionais, incluindo o Prémio Pessoa (2018) e o Prémio Nacional de Ambiente (2019).
A nível internacional, foi distinguido em 2013 com o MacArthur and Wilson Award, pela International Biogeography Society, o Ebbe Nielsen Prize, atribuído pelo Global Biodiversity Information Facility, e o Wolfson Research Merit Award, da Royal Society.
Professor catedrático do Departamento de Paisagem, Ambiente e Ordenamento da Universidade de Évora, onde é titular da Cátedra Rui Nabeiro – Biodiversidade, o investigador integra ainda o Instituto Mediterrâneo para Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED). Ao longo do seu percurso, publicou mais de duas centenas de trabalhos científicos, incluindo em revistas como Science, Nature e PNAS.
Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: D.R.












