Miguel Carvalho: «No Alentejo já se sente o desgaste do Chega»

Jornalista e escritor, revelou em «Por Dentro do Chega» a história do partido que, diz-se, deu voz a muito descontentamento nacional. Em entrevista à Alentejo Ilustrado, Miguel Carvalho fala da transferência de votos da esquerda para o partido de André Ventura, do mito da região «toda PCP» e de autarcas eleitos sem critério que agora se cruzam com os eleitores no café. É por aqui, diz, que começa o «desgaste» do Chega.

Catarina Fonseca (texto)

Nas legislativas de 2025, Évora, Beja e Portalegre deram ao Chega três deputados e percentagens superiores a 24% (embora o PS tenha ficado à frente em Évora). Nas autárquicas, o partido ficou-se pelos 10% nos três distritos e não conquistou nenhuma câmara. Em 2026 continua uma das principais forças eleitorais do Alentejo, embora em poder local ainda não seja comparável ao PS, PSD ou CDU.

Mas quem é ao certo este partido, quem são os eleitores que nele acreditam e como conquistou (ou não) o Alentejo? Procurámos uma das pessoas que mais sabe disto para nos responder a todas as questões.

Marcámos encontro numa esplanada do Porto. Jornalista há décadas, Miguel Carvalho publicou em 2025 um dos livros mais corajosos, profundos e explosivos de Portugal. «Por Dentro do Chega» revela a face oculta do partido que se apresentou ao país para «defender os portugueses de bem», «arrasar o sistema», expor os corruptos e «limpar Portugal de bandidos e imigrantes». Miguel Carvalho atirou-se ao trabalho: investigou documentos inéditos, entrevistou dezenas de pessoas (entre fundadores, atuais e antigos dirigentes, financiadores e militantes) e nos tempos que se seguiram tem palmilhado incansavelmente o país de norte a sul em palestras e apresentações.

Antes, um enquadramento. Diz-se no livro, sobre o André Ventura: «Os seus seguidores viram nele a vacina contra a má política, sem o verniz da etiqueta e das convenções. O povo viu nele um outsider carismático, que retratava a nação em modo catástrofe, com trejeito de profissional de stand-up comedy, de pastor evangélico e de guru das vendas diretas, que intuiu como poucos os ressabiamentos, as ruminações e os preconceitos populares. “Eu digo em voz alta o que as pessoas dizem nos cafés”.»

Esta é a chave para perceber o Chega? 

Em parte sim. Primeiro, o André Ventura fez uma coisa que muitos políticos deixaram de fazer: andou a correr uma data de sítios onde as pessoas não viam um político há muito tempo. Não levava nenhuma solução, não tinha nenhum programa e até serviu de saco de boxe para muitas queixas, mas a verdade é que as pessoas valorizaram a atenção. Já então o dirigente ensaiava aquele discurso de «eu contra todos», que as pessoas premiaram porque, como diziam os eleitores do Trump, «ao menos ele ladra por mim». E ao defender o que ele defende, limitou-se a levantar a tampa à panela de pressão.

Os preconceitos e preocupações já lá estavam? 

Estavam. E é preciso dizer que muitas dessas preocupações eram legítimas. Fala-se muito, e bem, nas conquistas da democracia, mas a democracia falhou a muita gente que fez tudo certo. Algumas pessoas não têm preparação política para perceber causas e consequências, mas a verdade é que se sentiram injustiçadas e acumularam uma sensação de abandono muito grande, principalmente no interior, como o Alentejo, e também nas zonas suburbanas. Grande parte dos eleitores do Chega tem o chip do «Estado ladrão», dos funcionários públicos corruptos e que não trabalham, dos impostos altos, mas depois quando se fala com estas pessoas, o que é que elas querem? Mais Estado! Melhores escolas, maiores pensões, mais hospitais… Queixam-se que não têm correios nem centros de saúde nem estradas… As pessoas estão de facto com vidas muito difíceis, não têm ferramentas para perceberem como chegaram aí, e portanto votam muitas vezes em protesto. Uma cientista política holandesa, Catherine de Vries, que estudou o voto na extrema-direita, chama-lhe a «sinfonia do descontentamento», que inclui raiva e ressentimento.

Não são a mesma coisa? 

Não. A raiva é momentânea, o ressentimento já é cristalizado. A raiva ainda é possível transformar em diálogo, o ressentimento é mais difícil. A sensação de abandono, o descontentamento, as promessas não cumpridas, isto está a acontecer em muitos lados. E se quisermos fazer uma caricatura, o fundador do Chega não foi o André Ventura, foram os sucessivos governos PS/CDS/PSD que falharam a várias promessas do povo português e a uma sensação de esperança nunca cumprida.

A esquerda também falhou? Porque no Alentejo houve claramente uma transferência de votos da esquerda para o Chega… 

Pois houve, e tenho provas disso, embora muita esquerda se recuse a admiti-lo. Primeiro é preciso encarar a realidade, e o Alentejo não foi o único sítio onde isso aconteceu. Em França, há regiões onde durante décadas se votava em massa no Partido Comunista e que hoje são território Le Pen. Porquê? Primeiro temos de deitar por terra de uma vez por todas o romantismo da classe operária. A dada altura, ficava-se com a sensação de que todos os que pertenciam à classe operária tinham lido Marx, quando muitas vezes não havia essa consciência de classe. Por exemplo, em França, em muitas zonas industriais, o Partido Comunista era o único verdadeiramente organizado, que dava alguma credibilidade e consistência à luta. Por outro lado, a extrema-direita recupera uma ideia quase perdida de Estado. Durante muito tempo as pessoas sentiram-se sem chão. E o Chega veio verbalizar o que as pessoas sentem. «Já que não há resposta nem da esquerda nem da direita, este pelo menos berra». Em Portugal há muito galo de sofá, a pessoa que papa telejornais em catadupa, que é um revoltado mas nunca pôs os pés numa manifestação, e que se reconhece nos tiques do Ventura.

Porque é que dizes que a esquerda traiu o povo? 

A esquerda PS na maior parte das vezes pouco se distingue do PSD. A esquerda que esteve no governo e que poderia ter cumprido algumas das promessas do 25 de Abril transformou-se numa gestora do capitalismo. E portanto a sua marca identitária, voluntária ou involuntariamente, perdeu-se.

A direita do CDS também não agarrou o seu eleitorado.

Até agora, a extrema-direita estava muito dispersa em nichos e não era bem o CDS. Havia o setor intelectual sob o guarda-chuva do Jaime Nogueira Pinto, e os pré-Grupo 1143, marcadamente neonazis, que queriam era violência. Mas apesar de serem bastante destrutivos, representavam muito pouco. Esta extrema-direita, naquilo que é a sua agenda, não falta às promessas. Se é para ser contra os ciganos, então vamos em cima dos ciganos. O único partido que tentou alguma coisa parecida com o que é hoje o Chega foi o CDS do Manuel Monteiro, que ensaiava discursos sobre Deus-Pátria-Família e contra os subsídio-dependentes.

E porque é que não pegou como o Chega? 

Em grande parte porque nessa época, grandes camadas da população que hoje estão desencantadas, na altura não estavam. Os anos do Guterres depois do cavaquismo foram de muita esperança. Havia a Expo, estávamos em alta, e as pessoas criaram outra vez a ilusão de que talvez alguma coisa de bom estivesse para acontecer. Depois tivemos crises políticas, crise económica, Santana Lopes, Sócrates, FMI, pandemia, e tudo isto se desmoronou em cima dos mesmos. Sempre os mesmos. Sendo que os que podiam de alguma maneira contrariar esta narrativa não o fizeram. O Bloco conseguiu até certa altura, mas cometeu um grande erro: partiu para a análise de tudo isto numa perspetiva de grande arrogância intelectual. E isto as pessoas não perdoam. Aquela ideia de «tu votas no Chega, és facho» é, quanto a mim, de uma grande arrogância intelectual. Porque as coisas não são assim tão simples. Tu votas PCP, és comunista? Em muitos casos, tenho dúvidas. «Ai mas eles nem leram o programa»… e os que votam noutros partidos, leram? Duvido.

Há muitas razões para votarmos naquilo em que votamos.

Claro. Vou-te contar uma história. Um dos sítios onde eu fiz mais sessões sobre este livro foi o Algarve, que é território Chega. Fui lá sete vezes. E não houve uma sessão em que as pessoas não falassem do hospital que está por construir no Algarve há décadas. São essas questões que fazem caminho! E agora junta vários hospitais que faltam em várias zonas do país… Além disso, o Chega tem a vantagem de não precisar de explicar nada. A esquerda sempre teve algum pudor, e bem, em simplificar o seu discurso.

Nisto tudo, onde fica o Alentejo? Já falaste em muitos tópicos que se aplicam também a sul: a desilusão, o esquecimento, as questões económicas, a imigração, a comunidade cigana… Explicaste como o Chega transformou descontentamento em força política. Se fizermos esse exercício especificamente para o Alentejo, qual é a história que encontramos? 

A vida das pessoas piorou, ponto final. E o Alentejo não foi exceção. O capitalismo prejudicou cada vez mais a vida dos cidadãos, que muitas vezes não conseguem perceber tudo o que aconteceu em Portugal e no mundo. As pessoas que votavam CDU ou PS sentem-se agora abandonadas. Entrevistei várias mulheres de diferentes gerações que votaram Chega, e 90% tinham votado PS nas eleições anteriores. E as queixas são muitas, nem sempre fundamentadas. A certa altura, em Borba, diziam-me: «Ah e vêm os imigrantes roubar-nos os empregos». E eu perguntei: «Mas aqui há imigrantes?». Resposta: «Ah, aqui não, mas é o que a gente ouve na televisão». Portanto, tudo isso deixa rasto.

Já agora, como é que se resolve a questão da comunidade cigana? 

Também em relação a isso a esquerda tem de encontrar um discurso diferente do que tem tido. A comunidade cigana é de longe a mais estigmatizada de todas, mas isso não pode significar que a esquerda ignore uma questão que existe e que não está a ser encarada nem resolvida. Não se pode ignorar que a comunidade muitas vezes é um problema para si própria, mas ao mesmo tempo não podemos criar mais estigmatização em cima da que já existe.

Isto de pôr as pessoas contra uma classe social ainda mais baixa sempre «funcionou» como estratégia partidária, não é?

Pôr pobres contra pobres e imigrantes contra imigrantes funciona sempre e a extrema-direita soube fazer isto muito bem. Também se vê isto em Espanha. Tu perguntas a um taxista em Espanha de que classe é que ele é, e ele dir-te-á sempre que é de classe média, aquela classe média que aspira a pôr os filhos em bons colégios porque não quer que estejam em colégios onde há ciganos e imigrantes. Vou-me sacrificar para que o meu filho conviva com famílias com redes influentes para que eles singrem na vida. Um sociólogo brasileiro, Jessé Souza, tem um livro muito bom chamado «O Pobre de Direita»…

.. sobre o quê? 

É um livro onde entrevistou várias pessoas que vieram de camadas sociais pobres e beneficiaram das governações Lula, com a Bolsa Família, três refeições por dia e um membro da família na faculdade. E muitos deles explicam porque é que agora votam Bolsonaro: porque já não são aquilo de onde vieram. E como já não são «aquilo», ambicionam estar nos círculos de influência que sejam os melhores para a sua família. Não é diferente em Portugal. A partir do momento em que ascendeste ou queres ascender a determinado patamar, queres cortar com tudo o que foste no passado. Porque para ti, tu já não és «aquilo». Aquilo que um dia construiu a tua identidade, agora recorda-te maus tempos.

É por isso que muita gente deixou de votar no PCP? Porque já não são «aquilo»? O meu pai, que era comunista, dizia que muitas pessoas não votavam PC porque era o «partido dos pobres». 

Claro que o voto no Alentejo não é uno, não é todo igual, e também temos uma visão romantizada do Alentejo como «todo PCP». Ora a maioria do Alentejo não é PCP desde os anos 80. Isso é mito. Desde as autárquicas de 1989 que o Alentejo não é PCP. Conto-te mais um episódio ocorrido no Algarve. Eu fui a Silves apresentar o livro, aliás fui muito bem recebido. Em Silves, nas autárquicas, ganhou a CDU e nas legislativas ganhou o Chega. E nessa sessão perguntaram-me se não era o momento de eu desmentir aquela «ideia feita» de que há eleitores comunistas a votar Chega. Tive de dizer: «Meus amigos, que eu saiba não veio nenhuma nave espacial de Marte largar aqui eleitores do Chega». Claro que muitas vezes não se tratou de um voto ideológico, foi o tal voto de protesto, de se sentirem — e serem de facto — ignorados nas decisões mais importantes do país, mas houve transferência de votos, sim.

O Alentejo está completamente esquecido… 

E se a esquerda não está onde a vida das pessoas piorou, a direita vai estar. Ou a berrar por elas, ou a espalhar discursos falsos, mas vai lá estar de alguma maneira.

Ao dia de hoje, os eleitores do Chega ainda não acham que foram enganados? 

Curiosamente, muitos votantes no Chega reconhecem várias coisas. O Ventura mente? «Ai mente, mente. Mas mente porque de outra maneira ninguém lhe prestaria atenção». O Chega está cheio de gente do pior? «Sim, é verdade. Mas ainda não tocaram no André. O partido tem poucos anos, ainda não conseguiram limpar tudo, há muita gente que se aproveitou do partido, aquilo das malas é chato mas o André cortou logo com ele, o pedófilo também é chato mas o Ventura mal soube…» e por aí fora. Ora, grande parte disto é falso, mas grande parte do eleitorado do Chega ainda acredita nisto. Muitos eleitores do Trump também dizem: «eu sei que ele é gatuno, mentiroso, que violou esta e aquela, mas é o gajo que berra às elites». Ou seja, ainda não processaram a ideia de que as elites estão com o Trump! Aquele estilo histriónico pegou.

E pegou porquê?
Por qualquer coisa de que ainda não nos apercebemos: porque as pessoas foram durante anos sendo habituadas àquele estilo de entretenimento. Anos de má televisão formataram-nos para aceitar e admirar pessoas como o Ventura. Quando importámos aquele modelo americano de debates tipo crossfire, com todos a malhar em todos, foi-se criando a ideia de que a política só se faz assim. Quanto mais folclórico e estridente, melhor. E isso também ajudou ao voto no Chega. Se isto é tudo uma porcaria e ninguém se distingue à esquerda e à direita, voto no gajo que grita mais alto.

Mas a culpa também não é só da esquerda…
Claro que não. Mas é importante perceber isto: não há só chalupas no Chega. A esquerda está cheia de chalupas. A investigadora Joana Gonçalves Sá, que estuda muito o fenómeno das notícias falsas, perguntou-se porque é que algumas pessoas são mais permeáveis a «fake news». E concluiu que são geralmente as pessoas que sabem alguma coisa, que já leram alguma coisa, que às vezes até vão ao cinema, são precisamente essas que partilham mais notícias falsas.

Porque é que isso acontece?
Porque o problema não é as pessoas deixarem de acreditar na verdade ou já não distinguirem a verdade da mentira: o problema é que as pessoas deixaram de acreditar. E com essas, podes fazer o que quiseres. Hoje as pessoas querem trincheiras. São muito poucas as que querem verdadeiramente debater. As pessoas querem a confirmação da sua verdade. Tenho pessoas próximas com formação e bibliotecas, que estão a ver youtubers manhosos às nove da noite e a acreditarem que os americanos nunca foram à Lua. Conheço pessoas que se dizem de esquerda que andaram a elogiar o ex-juiz Rui Fonseca e Castro, do Habeas Corpus (destacado negacionista da covid-19), porque a covid-19 não existe! E enquanto estivermos nisto, não vamos a lado nenhum. Atenção que nem toda a adesão a teorias da conspiração é má: pôr em causa o que estás a ler pode ser saudável. Mas quando se está viciado nisso, é que é mau.

Porque é que acreditamos tanto em chalupices, para usar uma expressão tua? 

Porque o pensamento crítico dá trabalho. Como explicava a Joana Sá, tu não podes pedir a uma empregada de limpeza que se levanta às quatro da manhã em Almada para ir limpar escritórios em Lisboa, que no único momento do dia em que faz scroll esteja preocupada em saber como é que o Trump ganhou à Kamala Harris. Mas esta mulher, se lhe perguntarem alguma coisa sobre o Trump, provavelmente dirá: «não sei». Quem sabe um bocadinho, acha que é dona da verdade. Eu quero o conforto de uma trincheira, por isso vou buscar ou estou no sítio onde me é devolvida informação em que eu já acredito. E os algoritmos ainda nos fecham mais na bolha, sejamos de direita ou de esquerda. O maior bullying em redes sociais que recebi na vida não foi do Chega, foi depois de uma crónica que escrevi sobre o Carlos Brito. Pessoas que dois dias antes me davam força, dois dias depois chamavam-me vendido ao capitalismo.

Portanto, não somos muito diferentes uns dos outros…

Pois não. Mas não gostamos de pensar nisso. As pessoas não estão habituadas a pôr em causa aquilo em que acreditam. Eu gasto muito tempo e dinheiro a ler coisas que vão contra aquilo em que acredito. Porque nós temos de conhecer o adversário. E nós não fazemos isso. Mas devo dizer isto: muitos eleitores e militantes do Chega estão a ler o meu livro e vão às sessões. Já houve gente que saiu do Chega por causa deste livro.

Achas que já se atingiu o teto do fenómeno Chega? 

Depende. Se a nível nacional a breve trecho houver uma nova crise política gravíssima que provoque eleições antecipadas, acho difícil que o Chega não seja poder. Se a situação atual se mantiver, tenho muitas dúvidas. A nível autárquico, vamos assistir inevitavelmente a algum desgaste. No Alentejo já se sente muito isso. O Alentejo foi das primeiras regiões a aderir ao Chega. Por exemplo, em Moura: o Ventura ganhou todas as eleições até 2025 e nas últimas autárquicas perdeu centenas de votos. O que é que aconteceu? Era interessante ir ver…

Aconteceu esse desgaste? 

Naquilo que considerou uma das suas vitórias, e foi, o Chega estendeu-se como uma mancha de óleo a Portugal inteiro. Isso, tendo em conta a falta de critério na escolha dos candidatos, é a primeira coisa a virar-se contra eles. Hoje no Alentejo levantas-te de manhã para trabalhar e encontras o autarca do Chega no café, ao teu lado. E as más escolhas que fizer vão ser muito óbvias e vão-se multiplicar. Claro que nem todos os autarcas do Chega são péssimos. Eu respeito muito o eleitorado Chega, e há gente que concorreu pelo Chega para tentar fazer o melhor que podia pela sua terra. É importante também dizer isto. Mas os outros são muito mais: gente muito má, pouco qualificada, escolhida ao calhas, com rabos de palha e telhados de vidro ao cubo, gente escolhida sem nenhum critério. E gente que muitas vezes percebeu que o Chega era a sua oportunidade para ser eleito diretamente. Em muitos casos, o Chega está a ser uma barriga de aluguer política. Portanto, o Chega é muitas vezes vítima de si próprio.

Para acabar, faz-me um resumo muito rápido do estado em que estamos. 

O efeito Ventura, do tipo que bate o pé, ainda funciona. Mas as pessoas estão a tomar contacto com os eleitos pelo Chega. Quando vais buscar o pão ou à farmácia, dás de caras com ele. Sabes quem é. E será mais rápido esse desgaste do que o desgaste nacional.

«POR DENTRO DO CHEGA»

Miguel Carvalho

Editora: Objectiva

752 página

PVP: 20,95 euros

Fotografia de Miguel Carvalho: © Mariana Correia Pinto. Fotografia de André Ventura: © Nuno Veiga/Lusa/Arquivo. Fotografia do lançamento do livro: © Amin Chaar

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