Militares da GNR suspeitos de receberem 200 euros/dia para controlar imigrantes

Terão sido recolhidas provas de que elementos da GNR e da PSP detidos na Operação Safra Justa receberiam até 200 euros por dia para vigiar trabalhadores estrangeiros explorados por uma organização criminosa, um esquema que, segundo fonte policial, chegou a abranger cerca de 500 pessoas imigrantes.

De acordo com o Jornal de Notícias, a investigação da Operação Safra Justa já recolheu provas sobre os valores das contrapartidas monetárias que os elementos das forças de segurança recebiam do líder da rede de exploração laboral.

“Muitas vezes fardados e com os carros de patrulha da própria GNR, os militares faziam uma espécie de serviço gratificado ilegal. Para isso, recebiam pelo menos 200 euros por dia, mas o valor podia aumentar, consoante a responsabilidade do militar”, revela o JN.

No total, foram detidas 17 pessoas, incluindo 11 elementos de forças de segurança – 10 militares da GNR e um elemento da PSP – e seis civis, entre os 26 e os 60 anos.

Os detidos estão a ser ouvidos no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das respetivas medidas de coação.

De acordo com fonte policial, “cerca de 500 trabalhadores estrangeiros, mas nem todos necessariamente vítimas de tráfico, estavam sob alçada desta organização criminosa”.

Os alegados crimes sob investigação vêm desde 2023 e, na sequência da operação desenvolvida na terça-feira, as vítimas estão a ser inquiridas para memória futura nas instalações da Base Aérea n.º 11 de Beja (BA11), indica a mesma fonte, segundo a qual, “ao longo destes anos, têm vindo a ser ouvidas outras vítimas”.

A operação foi realizada através da Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da PJ, no âmbito de um inquérito titulado pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

O Ministério Público argumenta que os suspeitos aproveitaram-se “da situação de fragilidade (documental, social e económica) de cidadãos originários de países terceiros, na sua grande maioria indocumentados, para daí retirarem avultadas vantagens económicas”.

Os imigrantes “estavam dispostos a trabalhar sem contrato formalizado” e recebiam “remuneração inferior à praticada no mercado para as funções” a realizar, por exemplo na agricultura.

“Os suspeitos não entregaram àqueles os valores prometidos, tendo-lhes deduzido montantes arbitrariamente impostos, referentes a despesas de alojamento, transporte, água, eletricidade e documentação”, refere fonte do MP.

Ainda de acordo com a mesma fonte, os elementos de forças de segurança suspeitos controlavam e vigiavam os trabalhadores estrangeiros “a troco de compensação económica” e “ameaçavam ainda aqueles cidadãos, dando-lhes a entender que a queixa às autoridades não seria uma alternativa viável para reagir aos abusos” de que eram alvo.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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