Mina da Lagoa Salgada elimina cianeto para tentar licenciamento ambiental

O projeto reformulado da Mina da Lagoa Salgada, nos concelhos de Grândola e Alcácer do Sal, está em consulta pública até 27 deste mês, incluindo alterações ao tratamento mineralúrgico, reforço das medidas de proteção ambiental e redução da área de ocupação, num investimento global de 196 milhões de euros que prevê a criação de cerca de mil postos de trabalho diretos e indiretos.

O projeto, com processamento sem cianeto, pretende explorar minérios, como o cobre, chumbo, zinco, prata e ouro, entre outros, abrange uma área da freguesia de Torrão, no concelho de Alcácer do Sal (na fotografia), e da União de Freguesias de Grândola e Santa Margarida da Serra, no concelho de Grândola.

Segundo o Resumo Não Técnico do Estudo de Impacte Ambiental (EIA), que pode ser consultado no portal Participa, a reformulação inclui alterações ao processo de tratamento mineralúrgico, o reforço das medidas de proteção do aquífero, mudanças no método de deposição de resíduos no aterro e uma redução da área de ocupação.

Em julho deste ano, após emitir uma decisão de Declaração de Impacte Ambiental desfavorável, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) disse que a empresa Redcorp – Empreendimentos Mineiros tinha seis meses para reformular o projeto e submetê-lo a novo EIA.

O promotor aponta para um investimento global de 196 milhões de euros e a criação de 300 postos de trabalho diretos e 700 indiretos.

De acordo com o documento, as alterações envolvem a “eliminação do processo de lixiviação e fundição de ouro e prata, e utilização apenas do processo de flutuação para separar estes metais”, com “eliminação do cianeto de sódio do processo”.

A eliminação do cianeto de sódio no processamento traduz-se “num menor consumo de químicos, custos de construção e manutenção mais baixos, armazenamento de rejeitados mais simples e uma pegada ambiental e de licenciamento reduzida”.

“A estratégia atualizada permite a recuperação de metais secundários valiosos (chumbo e vanádio) que anteriormente eram descartados, aumentando o rendimento metálico por tonelada e alinhando-se com os princípios da economia circular e com as estratégias da UE para matérias-primas críticas”, refere a empresa.

A reformulação do projeto inclui, igualmente, o reforço das medidas de proteção dos recursos hídricos, a impermeabilização total da zona de acesso à mina e a execução de uma cortina de impermeabilização ao longo do perímetro de escavação do ‘box cut’ para minimizar os impactes no aquífero, entre outras medidas.

Serão também introduzidas alterações ao método de deposição de resíduos no aterro, passando para uma solução de rejeitados filtrados, que permitirá reduzir “significativamente a área e volume necessário de deposição” de resíduos.

Assim, a área de ocupação do aterro de resíduos passou de 71,5 no EIA para 43,1 hectares no projeto reformulado, permitindo reduzir a área de ocupação total em cerca de 28,44 hectares, com impactos nas manchas de montado.

O projeto implica a construção de infraestruturas para produção de energia fotovoltaica para autoconsumo, lavaria, acessos, estaleiro, central da pasta, bacia de retenção de águas pluviais, estação de tratamento de águas e subestação elétrica.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Arquivo/D.R.

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