«É evidente que já se foram muitos hectares queimados, mas isso também tem que ver com o território desorganizado, florestal, que nós temos. Há um caminho muito grande a ser feito», afirmou Luís Neves aos jornalistas em Castro Verde, após uma reunião na Câmara Municipal e uma visita ao posto local da GNR.
Mais de 15 mil hectares arderam em Portugal nos últimos cinco dias, tendo a área ardida duplicado entre 1 e 5 de julho, revelam dados provisórios do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR). Desde o início do ano já foram registados 4.592 incêndios florestais, que consumiram mais de 30 mil hectares.
Segundo o ministro da Administração Interna, o país tem «tido dificuldades na organização do território, por força de um direito constitucional que é o direito da reserva da propriedade».
«Temos, de facto, de começar a pensar, quando há proprietários que não se conhecem, que não cuidam do território e cujos comportamentos põem em causa a segurança de todos os outros, até que ponto é que vamos manter este status quo toda a vida», disse Luís Neves.
O ministro defendeu que, «quando os direitos individuais colocam em causa os direitos coletivos e todos os direitos individuais de todos os outros cidadãos, [é preciso] encontrar medidas para resolver estes problemas».
«Sou um defensor acérrimo da existência da propriedade privada, mas há que cuidar do coletivo. O coletivo deve ser o ponto central da nossa vivência política e da nossa vivência em sociedade», acrescentou.
Questionado sobre a prorrogação da situação de alerta em vigor até às 23h59 de quinta-feira em 10 distritos de Portugal Continental, o ministro afirmou que o Governo está a «trabalhar de uma forma muito vincada, em coletivo, em coordenação e em colaboração».
Luís Neves deixou «uma nota de profundo agradecimento» a todos os que têm estado envolvidos no «ataque inicial» aos incêndios em Portugal, cujo trabalho permitiu «debelar quase 95% das ignições nos primeiros momentos».
«Temos alguns incêndios em que [isso] não foi possível, mas não foi por falta de empenhamento, de zelo, de garra, de brio. Foi porque as condições atmosféricas e a meteorologia eram absolutamente adversas», frisou, destacando ainda a coordenação existente nos teatros de operações, que considerou ter atingido «um patamar de excelência».
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.










