Inserido na bacia hidrográfica do rio Guadiana e alimentado pela barragem do Abrilongo, concluída em 2000, só agora foi possível implementar a rede de rega. «A barragem é de 2000 e estamos em 2026… temos que acelerar investimentos, é uma eternidade para obter uma declaração de impacte ambiental (DIA), é uma eternidade para se avançar com um concurso público, nós temos que ser mais rápidos», afirmou.
Para inverter a situação, o ministro da Agricultura defende que a iniciativa tem de começar pelo próprio Governo, através da adoção de medidas de «simplificação» processual.
«Nós temos de ter legislação que concilie competitividade, sustentabilidade ambiental com coesão territorial e termos processos de decisão mais rápidos, uma DIA não pode demorar cinco anos, uma decisão judicial não pode demorar 20, os processos são muito lentos, os concursos públicos também demoram uma eternidade», alertou.
O Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora compreende a barragem do Abrilongo, uma rede de rega com «cerca de 44 quilómetros de condutas, 70 hidrantes, 106 bocas de rega e uma estação elevatória, permitindo um sistema de distribuição de água sob pressão, energeticamente eficiente e com forte aproveitamento» da gravidade.
Na ocasião, José Manuel Fernandes destacou o programa «Água que Une», considerando-o «estruturante» e «estratégico», e sublinhando que se trata de uma das dez prioridades do Governo. Segundo o ministro, o objetivo é investir até 2030 cerca de 5.400 milhões de euros e, posteriormente, mais quatro mil milhões de euros, num esforço financeiro «que traz retorno económico e permite tirar partido das potencialidades dos territórios».
O governante destacou ainda que estes projetos reforçam a competitividade da agricultura, promovem a coesão territorial e contribuem para a fixação da população no interior, defendendo que «a agricultura é segurança alimentar, mas é também economia, competitividade e coesão territorial».
Já o presidente da Câmara de Campo Maior destacou a importância da conclusão de uma obra há muito aguardada pelos agricultores do concelho. Luís Rosinha afirmou que «é um investimento que fazia falta há 25 anos», recordando que no concelho já existem cerca de seis mil hectares de regadio na zona do Caia e que agora se iniciam mais 1.500 hectares, «com a expectativa de podermos chegar aos 2.200».
Das três fases previstas para o aproveitamento do Xévora, duas estão concluídas: primeiro foi a construção da barragem do Abrilongo, concluída em 2000, depois a construção da rede de rega, agora inaugurada. «Posteriormente, será construída a estação elevatória, destinada a reforçar a eficiência energética e a segurança do sistema, e implementada a compensação de quercíneas e as restantes medidas ambientais previstas na DIA», refere fonte municipal.










