O projeto «Feeding the Global Energy Transition» («Alimentar a Transição Energética Global»), promovido pela empresa Almina – Minas de Portugal, coloca a concessionária na «linha da frente da mineração moderna».
«Estamos aqui a alicerçar o nosso futuro, a construir um Portugal moderno, produtivo e soberano», disse o chefe do Governo, que foi acompanhado na cerimónia pelos ministros da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, e do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
Luís Montenegro, que começou por descer ao fundo da mina antes de presidir à cerimónia de inauguração, frisou ainda que o seu executivo está a avançar com uma estratégia «para os recursos geológicos, que tem como “pedra de toque” a simplificação administrativa», com maior «articulação entre todos os intervenientes».
Desenvolvido ao longo dos últimos cinco anos e financiado em cerca de 128 milhões de euros pelo Plano de Recuperação e Resiliência, o projeto permitiu a ampliação da capacidade da lavaria industrial da mina, que passa a poder tratar anualmente seis milhões de toneladas de cobre e zinco em simultâneo. Incluiu ainda, entre outros investimentos, a construção de uma unidade de produção de energia solar fotovoltaica para autoconsumo, com capacidade superior a 40 mil megawatts-hora por ano.
«Hoje é um marco histórico para a nossa empresa e para a indústria mineira em Portugal», reconheceu o presidente do conselho de administração da Almina, Humberto Costa Leite, para quem «não há transição energética sem revolução digital e sem mineração», nomeadamente cobre e zinco, os metais produzidos em Aljustrel. «A mineração é o “quilómetro zero” da vida moderna e esse “quilómetro zero” tem uma morada histórica: Aljustrel», vincou.
Segundo Costa Leite, o projeto «nasceu há quase cinco anos», tendo em vista a necessidade de a empresa «ter custos mais baixos» face à impossibilidade de controlar «os preços dos metais» ou «as flutuações diárias do câmbio euro/dólar». «Este projeto permite-nos processar os dois minérios, cobre e zinco, em simultâneo, interligando as duas linhas [de produção] e otimizando a recuperação dos metais com criação de mais valor», afiançou.
O presidente da Almina revelou que a concessionária aguarda a emissão da declaração de impacto ambiental para «investir 150 milhões de euros ao longo de quatro anos» na abertura e construção do jazigo de Gavião, onde predomina o cobre. A par disso, a empresa pretende avançar com a exploração experimental do jazigo de Albernoa, de zinco e cobre, onde «10,8 milhões de euros investidos em prospeção» permitiram «uma descoberta com alta probabilidade de ter valor económico».
«Pedimos a atribuição de direitos de exploração experimental e aguardamos a celebração do contrato, mas já perdemos mais de um ano de tempo precioso devido aos labirintos legislativos», lamentou, esperando que o Estado, apesar da sua «obrigação de regular», seja «um facilitador e não um obstáculo à criação da riqueza».
Costa Leite explicou ainda que a Almina «tem uma fatura mensal superior a dois milhões de euros» em custos energéticos, pedindo ao Governo «decisões de longo prazo e corajosas» nesta área. «É preciso lançar a prospeção no terreno, com urgência e agilidade, porque é onde tudo começa. Sem medir o valor económico e demora de tempo, não haverá minas em Portugal», argumentou.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Nuno Veiga/Lusa










