Morreu António Chainho, mestre maior da guitarra portuguesa

António Chainho, considerado um dos mais importantes intérpretes e compositores da guitarra portuguesa, morreu esta terça-feira, aos 88 anos, na sua residência em Alfragide.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou a morte do músico António Chainho, que evocou como “personalidade cimeira na guitarra portuguesa e no fado” e “símbolo inspirador para gerações de instrumentistas”.

O guitarrista e compositor António Chainho morreu na sua residência em Alfragide, nos arredores de Lisboa, no dia em que completaria 88 anos.

Numa nota publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa evoca-o como “personalidade cimeira na guitarra portuguesa e no fado, ao longo de mais de cinco décadas, acompanhando um sem número de intérpretes”.

“Um símbolo inspirador para gerações de instrumentistas”, acrescenta o chefe de Estado.

Nesta nota de pesar, o Presidente da República refere que condecorou António Chainho com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique, em 2022, e apresenta “amigos e saudosos pêsames à sua família, companheiros de vida artística e admiradores”.

O “mestre da guitarra portuguesa”, como era referido pela crítica especializada, encerrou a carreira de 60 anos em setembro de 2024, ano em que editou o seu último álbum, “O Abraço da Guitarra”, no qual homenageou os que através da rádio foram os seus mestres.

António Chainho nasceu em S. Francisco da Serra, no concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal, em 27 de janeiro de 1938, e começou a tocar no meio fadista na década de 1960. Editou sete álbuns em nome próprio e um DVD, “Ao vivo no CCB”.

Gravou e tocou com nomes como Fernando Alvim, Teresa Salgueiro, Gal Costa, Fafá de Belém, María Dolores Pradera, José Carreras, Adriana Calcanhotto, Saki Kubota, Elba Ramalho, Sonia Shirsat, Remo Fernandes, Hélder Moutinho, Rui Veloso, Paulo de Carvalho e Nina Miranda, entre outros.

Em finais da década de 1970, começou a preocupar-se com a necessidade de um curso de guitarra portuguesa para novos instrumentistas, que viria a concretizar décadas depois, com a abertura do ensino da guitarra portuguesa no Museu do Fado, em Lisboa, e numa escola, com o seu nome, em Santiago do Cacém, seu concelho natal, em 2005.

A vida e obra de António Chainho “marcaram de forma indelevel a música portuguesa e a projeção internacional” da guitarra portuguesa, afirma a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) numa nota de pesar.

Referindo-se a António Chainho como “mestre da guitarra portuguesa, instrumento maior da nossa identidade cultural”, a SPA afirma que o guitarrista “manteve ao longo dos anos uma relação de proximidade, diálogo e partilha com a SPA, da qual foi beneficiário desde 1972 e cooperador desde 1981, acompanhando e apoiando ativamente a vida cultural e musical portuguesa”.

Em 2022, a SPA atribuiu-lhe o Prémio Consagração de Carreira, “homenageando, desta forma, o conjunto da sua obra”.

A carreira de 60 anos de António Chainho conta com sete álbuns editados em nome próprio e um DVD, “Ao vivo no CCB”, e a partilha de interpretações com nomes como Fernando Alvim, que foi viola de Carlos Paredes durante mais de 25 anos, Gal Costa, Fafá de Belém, María Dolores Pradera, José Carreras, Adriana Calcanhotto, Saki Kubota, Elba Ramalho, Sonia Shirsat, Remo Fernandes, Hélder Moutinho, Rui Veloso, Paulo de Carvalho e Nina Miranda, entre outros.

Para a SPA, António Chainho foi “um dos mais importantes intérpretes e compositores da guitarra portuguesa, levando-a a palcos nacionais e internacionais e despertando a admiração de músicos de referência de diferentes geografias e universos musicais”.

Sobre o músico, a revista britânica Songlines escreveu: “Se a guitarra portuguesa é um símbolo de um país, Mestre António Chainho é hoje o seu mais notável embaixador. Herdeiro de uma singular tradição, os mais de 50 anos de carreira de Mestre António Chainho interpretam e traduzem as múltiplas emoções deste instrumento único no mundo e o talento inigualável de um dos 50 músicos mais influentes da World Music”.

Mestre Chainho encerrou a carreira em setembro de 2024, tendo nesse ano editado o derradeiro álbum, “O Abraço da Guitarra”, no qual homenageou os que através da rádio foram os seus mestres, e deu o seu último concerto a 20 desse mês,  na Praça do Município, em Lisboa.

Texto:Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Tiago Canhoto/Lusa/Arquivo

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