Em comunicado, o Movimento diz acolher “com satisfação” a notícia de que a empresa pública espanhola Enresa lançou o concurso para serviços de engenharia destinados ao desmantelamento de Almaraz.
O plano prevê que as duas unidades da central, localizada na província de Cáceres, junto ao rio Tejo e a cerca de 100 quilómetros da fronteira com Portugal, deixem de operar até outubro de 2028.
“Apesar disso” – alerta – “continuam a surgir pressões para prolongar o funcionamento da central, adiando uma decisão que é essencial para a segurança das populações e para a proteção do ambiente”. São “pressões” que surgem ainda que a energia nuclear enfrente “dificuldades crescentes num sistema elétrico cada vez mais dominado por fontes renováveis mais baratas e flexíveis”.
Recordando que, no início do mês, um dos reatores da central de Almaraz foi temporariamente desligado, na primeira paragem “por razões essencialmente económicas”, o MIA sublinha que, para Portugal, Almaraz “representa um risco transfronteiriço que não pode ser ignorado”.
Provas de resistência realizadas após o acidente de Fukushima, a pedido da Comissão Europeia, alertaram para a falta de planeamento para “o risco de agressões externas, como atentados ou queda de aeronaves”, acrescenta a mesma fonte, demonstrando ainda preocupação com a contaminação radioativa associada às descargas de Almaraz, com valores de trítio superiores ao normal no rio Tejo.
De acordo com especialistas, o trítio pode representar um risco de radiação se inalado, ingerido através de alimentos ou água, ou absorvido pela pele, mas só é perigoso em doses concentradas muito elevadas.
O MIA avisa ainda que o risco sísmico “poderá estar subavaliado”, uma vez que as análises consideraram apenas sismos registados desde 1970 e não “eventos sísmicos de grande magnitude”, como o de 1755, para defender que o encerramento de Almaraz “é uma questão de segurança ambiental, de proteção da saúde pública e de responsabilidade para com as populações da Península Ibérica”.
Composto por associações ambientalistas e instituições de Portugal e de Espanha, entre as quais a Zero e a Quercus, o movimento exige igualmente “um plano social justo” para os trabalhadores da central, assegurando a reconversão profissional e a criação de empregos “verdes e dignos”, associados à transição energética e à proteção do ambiente.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia António José/Lusa/Arquivo












