Movimentos cívicos unem-se contra megaprojetos solares e eólicos

Nove movimentos cívicos e associações de todo o país criaram o Movimento Energia Justa e Sustentável (MEJS), uma plataforma nacional que rejeita a proliferação de megaprojetos solares e eólicos e exige um plano de ordenamento participado para a transição energética.

O novo Movimento Energia Justa e Sustentável (MEJS) expressa, no seu manifesto, preocupação pela forma como a transição energética tem vindo a ser conduzida no país e contrapõe «a necessidade inadiável de um Plano de Ordenamento das Energias Renováveis».

A plataforma integra a associação ProtegeAlentejo e o movimento Juntos Pelo Cercal, no concelho de Santiago do Cacém, Cidadãos pela Beira Baixa, Movimento Cívico em Defesa de Pedrógão de São Pedro e Bemposta, Movimento Cívico Gardunha Sul e Plataforma de Defesa do Tejo Internacional, no distrito de Castelo Branco.

Também as organizações Juntos pelo Divor – Paisagem e Património, Juntos por São Luís, no concelho de Odemira e a Plataforma pela Sustentabilidade e Biodiversidade do Algarve e Alentejo se juntaram ao novo movimento.

Os nove fundadores do MEJS consideram, no manifesto, que a transição energética tem privilegiado megaprojetos solares e eólicos, todos «com localização e dimensão inaceitáveis, apresentados como receita única e urgente para o cumprimento das metas do PNEC (Plano Nacional de Energia e Clima)».

A plataforma rejeita que esta estratégia energética transforme Portugal numa «gigante fábrica de energia», com «o objetivo da exportação ou da atração de centros de dados». No entender das organizações, além de esta opção política causar «impactos claramente irreversíveis» para o país, «jamais deveria sequer ser ponderada sem o esclarecimento e o sufrágio da população portuguesa».

«A esta opção política, desordenada e obscura, contrapomos a necessidade inadiável de um Plano de Ordenamento das Energias Renováveis, ampla e efetivamente participado aos níveis local, regional e nacional, que respeite vinculativamente a vontade popular», propõe.

Para que este plano «seja elaborado com a transparência que o ordenamento exige, terão que ser colocadas na praça pública informações e escolhas que nunca foram partilhadas e acordadas com as comunidades», argumentam os subscritores do manifesto — o que, alerta o MEJS, poderá «exigir uma reavaliação das metas do PNEC», nomeadamente quanto à «potência energética de que Portugal de facto necessita e para que usos», às «previsões de crescimento de consumos e em que setores» e ao «mix energético» a considerar nesta fase de transição.

O documento reitera a necessidade de ser avaliado «o efeito acumulado de todos os projetos e infraestruturas associadas», tais como «linhas de muito alta tensão [e] subestações» previstas em todo o país, e não apenas cada projeto de forma isolada.

O Plano de Ordenamento das Energias Renováveis deve respeitar os «sujeitos rurais» e os seus territórios «enquanto lugares vivos e habitados», defende a plataforma, rejeitando «a artificialização de vastas áreas naturais».

Em alternativa aos grandes projetos, o movimento quer «uma política robusta de apoio à produção renovável descentralizada, incluindo o autoconsumo individual e coletivo», a criação de «comunidades de energia renovável» e do «pequeno sistema agrovoltaico integrado», dando ainda primazia às «pequenas centrais em zonas degradadas ou artificializadas e [aos] sistemas locais de armazenamento associados».

Além de se referir aos projetos ligados ao hidrogénio e aos centros de dados como «elefantes brancos», o movimento nacional sustenta que o «recurso à figura do interesse público» deve «estar ao serviço do coletivo», só devendo ser usado «em condições excecionais».

No que respeita ao combate às alterações climáticas, o movimento — que se afirma apartidário — aponta como soluções o sequestro das emissões de carbono, a regeneração dos solos, as boas práticas agrícolas e florestais e o restauro de habitats.

O MEJS apela ainda «a todos os cidadãos, associações, autarquias, instituições científicas e decisores políticos para que participem ativamente neste debate fundamental para o futuro do país».

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

3 Responses

  1. Fico muito contente e folgado que esta associação esteja formada, ja era tempo dos portugueses acordarem e exigirem um pais decente e verdadeiramente democrático e virado para a protecção de seus valores narurais, temos que imoor ordem à classe politica, controlada por lobis fortes estrangeiros e internos. Chega. Quero colaborar no possivel e interagir com as pessias interessadas nesta causa. Obrigado.
    David lamy

  2. Concordo.
    A plataforma rejeita que esta estratégia energética transforme Portugal numa «gigante fábrica de energia», com «o objetivo da exportação ou da atração de centros de dados». No entender das organizações, além de esta opção política causar «impactos claramente irreversíveis» para o país, «jamais deveria sequer ser ponderada sem o esclarecimento e o sufrágio da população portuguesa».

  3. Não se esqueçam da serra de Portel/ Vidigueira (Marmelar/ Vera Cruz e Alqueva) e das herdades da Sobreira de baixo e Pardelhas ( Vidigueira)). São Mega projetos, alguns já aprovados ou a ser , sem a participação da população e conivência de quem a devia proteger.
    E uma perda enorme de biodiversidade, de um dos últimos redutos de Portugal e da Portugalidade..

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