No início da reunião pública de Câmara, o presidente do Município revelou que a autarquia chegou a acordo para a cedência do imóvel com a Estamo, a sociedade gestora de imóveis e património público.
«O plano de utilização para o desenvolvimento cultural, porque foi nesse sentido que o requeremos, está a ser ultimado e será oportunamente apresentado», adiantou Carlos Zorrinho, adiantando que a cedência do espaço, mais conhecido como Casa das Sementes, será formalizada entre as duas partes durante uma cerimónia marcada para o dia 02 de julho, no Porto.
Dizendo tratar-se de «um espaço magnífico e [que a posse do imóvel] representa uma grande oportunidade para o município», o autarca desafiou a oposição a juntar-se ao Executivo para «tirar o máximo partido» do imóvel.
Em resposta a questões da oposição, o autarca referiu existir «uma ideia concreta» sobre o que vai ser feito no edifício, mas escusou-se a revelar mais detalhes, por enquanto, pois o imóvel ainda não se encontra na posse do município. «Há potencialidades, por exemplo, que têm a ver com o arquivo e outras coisas mais», sublinhou.
Quanto a contrapartidas pela cedência do imóvel – e citado pela Lusa – Carlos Zorrinho frisou que a única exigência é que o edifício seja «para a cultura no sentido lato». O espaço chegou a ser apontado para acolher o novo Centro Nacional para a Dança Contemporânea, um dos projetos da Capital Europeia da Cultura Évora_27 que acabou por cair.
Construída em 1960 junto à linha de caminho de ferro, a Casa das Sementes de Évora nasceu no pós-Segunda Guerra Mundial para dar resposta à dificuldade de importar sementes, segundo o arquiteto e investigador Francisco Maurílio, da Universidade de Évora.
Segundo Francisco Maurílio, arquiteto e investigador da Universidade de Évora e autor da fotografia que ilustra este artigo, o edifício surge no contexto do pós-II Guerra Mundial, quando se tornou difícil importar sementes, tendo a Federação Nacional dos Produtores de Trigo ficado encarregue de criar «novas infraestruturas com tecnologia capaz de responder a este desafio».
«Estes espaços eram restritos aos agricultores produtores de semente. Era através de um processo mecânico que se realizavam as operações de limpeza, calibragem e desinfeção, responsáveis pela separação de sementes por diferentes lotes com diferentes especificidades», acrescenta.
Segundo a mesma fonte, o Núcleo de Seleção e Armazenagem foi construído junto à linha de caminho de ferro em 1960.
«Composto por três corpos, distribuídos em U, a sua organização evidenciou a função de cada um deles: o corpo central era onde estavam instalados os instrumentos de seleção e calibragem, os outros dois serviam de armazém», conclui.










