Muralhas de Évora já têm sensores e gémeo digital para prevenir danos

As muralhas de Évora são um dos três monumentos da Península Ibérica onde já estão a ser aplicados sensores, modelos 3D e gémeos digitais [réplicas virtuais dos monumentos] para acompanhar em tempo real o seu estado de conservação. A tecnologia é desenvolvida pelo projeto transfronteiriço Heprestone, que conta com a Universidade de Évora entre os parceiros.

No caso de Évora, o projeto está a ser testado num troço de muralha na Casa de Burgos, ex-Direção Regional de Cultura do Alentejo, estando igualmente a ser realizados testes na Alcazaba de Mérida e no castelo de Portezuelo, ambos na Extremadura.

Segundo o Instituto Tecnológico de Rochas Ornamentais e Materiais de Construção (Intromac), com sede em Cáceres, um dos parceiros do projeto, estas ferramentas «começam a fazer parte da gestão quotidiana de castelos, muralhas e fortalezas», permitindo «antecipar possíveis problemas antes de aparecerem danos irreversíveis».

Os avanços foram apresentados na Universidade de Évora, com os guias de identificação de fatores de risco e indicadores de alerta, e no festival científico Ciência na Rua, em Estremoz.

O projeto Heprestone é financiado por fundos comunitários e junta ainda a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, o Instituto de Arqueologia de Mérida, a Universidade da Extremadura, a Junta de Extremadura, a Arrow4D e o Cluster de Turismo da Extremadura.

O objetivo, segundo a mesma fonte, é «facilitar a gestão, proteção e conservação preventiva do património» e promover um turismo «sustentável, ecológico, inclusivo e adaptado às alterações climáticas».

O Intromac lembra que, «tradicionalmente, a intervenção nos monumentos efetuava-se quando os danos já eram visíveis», e que as novas ferramentas permitem «avançar na direção de uma conservação preventiva baseada em dados». O projeto criou uma plataforma que reúne «toda a informação de um monumento», dos modelos tridimensionais e da documentação técnica aos dados dos sensores instalados nos edifícios.

Os gémeos digitais são «reproduções virtuais de enorme precisão que refletem o comportamento de um monumento», com informação «construtiva, ambiental e estrutural» que permite «simular cenários, avaliar riscos e planificar futuras atuações».

Graças a eles, acrescenta o Instituto, é possível saber como um edifício é afetado «pela passagem do tempo, pelo clima ou até pela afluência de visitantes».

A plataforma vai ainda analisar o fluxo e os percursos dos visitantes e incluir novos recursos de interpretação, para «uma experiência mais acessível e imersiva».

Fotografia: Troço de muralha. © Intromac

Uma resposta

  1. Estou muitíssimo satisfeita por esta importante intervenção na nossa Muralha de Évora, património da UNESCO.

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