Segundo a autarquia, trata-se de “uma iniciativa que propõe três concertos dedicados a diferentes expressões musicais centradas nos instrumentos de teclas”, reunindo projetos artísticos que vão da música eletrónica contemporânea ao repertório clássico para órgão e piano.
O ciclo tem início no dia 15 de março com o projeto RSFP (Electronic Music Project), protagonizado por Rui Santana e Filipe Pilar, que apresentam um concerto para sintetizadores. O espetáculo propõe, de acordo com a organização, “uma jornada que transcende a cartografia física para explorar o espaço imaginário e infinito dos lugares”.
Conforme é descrito no programa, “através da música de síntese, os autores transportam o público para um universo sonoro de melodias contínuas, ritmos envolventes e sequências hipnóticas”. Nesse contexto, “a harmonia guia o ouvinte por entre meridianos e paralelos, cruzando latitudes e longitudes que definem pontos de significado emocional e cultural — como o simbólico Meridiano de Almodôvar”.
A proposta musical assume igualmente uma dimensão reflexiva sobre o tempo e o espaço. Como refere a apresentação do projeto, “assim como as linhas geográficas são projeções da imaginação humana, este programa utiliza a infinitude melódica para refletir sobre a relatividade do tempo e do espaço que nos rodeia”.
O concerto é apresentado por Rui Santana e Filipe Pilar, uma dupla que desenvolve em Portugal um trabalho artístico que cruza música eletrónica contemporânea e referências territoriais do sul do país. Segundo a organização, trata-se de “uma proposta musical única, na qual a música eletrónica contemporânea se funde com o património paisagístico e cultural das regiões do Algarve e do Alentejo”.
Com um percurso de mais de três décadas, os dois músicos têm explorado diferentes influências e linguagens musicais. Nesse sentido, destacam-se “pela criação de sonoridades que cruzam a vanguarda europeia — com influências da música eletrónica alemã, inglesa e francesa — com uma matriz mediterrânica e raízes ibéricas”.
A dupla já apresentou o seu trabalho em diversos contextos artísticos, tanto em Portugal como no estrangeiro. Entre essas participações destaca-se a presença no Electronic Circus Festival, na Alemanha, bem como concertos realizados em espaços históricos portugueses como a Fortaleza de Sagres, a Basílica Real de Castro Verde, a Igreja Matriz de Almodôvar, a Igreja (antiga mesquita) de Mértola e os Museus da Escrita do Sudoeste e da Lucerna.
Entre os projetos mais recentes desenvolvidos pelos músicos encontram-se as obras “2500 Anos de Escrita”, “Via Crucis” e “Memória da Paisagem”, esta última integrada nas celebrações da Marca do Património Europeu.
O Ciclo da Música para Instrumentos de Teclas prosseguirá no dia 21 de março com um concerto dedicado ao órgão, protagonizado pelo organista António Esteireiro. O encerramento do programa está marcado para 29 de março, com um recital de piano interpretado por Cláudia Silva.
Todos os concertos realizam-se no Fórum Cultural – Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Almodôvar, e têm início às 21h00. A entrada é gratuita, estando apenas condicionada à capacidade da sala.
De acordo com o Município, a iniciativa pretende “promover a diversidade musical e valorizar diferentes abordagens artísticas associadas aos instrumentos de teclas, proporcionando ao público momentos culturais de qualidade num espaço emblemático da vila”.
Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: D.R.
Legenda: A pianista Carla Silva irá encerrar, dia 21 de março, este Ciclo de Música em Almodôvar












