«Na GNR não há racismo». Comandante da Guarda reage a casos no Alentejo

Dois dos casos que envolveram militares da GNR ocorreram no Alentejo — a operação «Safra Justa» e as agressões filmadas em Vila Nova de Milfontes — e é neste contexto que o comandante-geral da corporação, tenente-general Rui Veloso, recusa que exista racismo na GNR e garante que os episódios são pontuais.

O comandante-geral da GNR, tenente-general Rui Veloso, recusa que exista racismo na corporação, considerando que os «casos gravíssimos» de comportamentos desviantes são pontuais.

Em causa está a operação «Safra Justa», em que 10 militares, atualmente suspensos de funções, são suspeitos de envolvimento num alegado esquema de auxílio à imigração ilegal no Baixo Alentejo, e a condenação de dois militares por agressões a imigrantes do sudeste asiático filmadas em Vila Nova de Milfontes, tendo outros cinco sido julgados por vários crimes com pena suspensa.

«São situações muito graves. Na Guarda temos a plena consciência e, julgo que todos os militares sabem, que não há lugar para comportamentos que vão contra os direitos humanos. Na Guarda, os direitos humanos não são opções, são direitos absolutos», diz Rui Veloso em entrevista à agência Lusa, a primeira desde que assumiu o cargo em setembro de 2023.

O comandante-geral é perentório: «na Guarda não há racismo», caso contrário a GNR teria de atuar de outra forma. Os militares «têm que respeitar os direitos humanos» e aqueles que não os respeitarem «não têm lugar» na GNR e «terão que ir embora». «Acho que isso não há dúvidas para ninguém», frisou, lembrando que a corporação tem um efetivo de 24 mil militares e que os casos que têm vindo a público são pontuais.

Sobre a operação «Safra Justa», em concreto, Rui Veloso apelou à presunção de inocência, mas deixou um aviso claro: «até ao trânsito em julgado as pessoas são inocentes, mas se ficar provado, terão que ser condenadas e exemplarmente condenadas e afastadas da Guarda».

Questionado se o controlo interno aumentou depois destes episódios, o comandante-geral responde: «sempre que detetamos algo negativo, temos a obrigação de estarmos mais atentos. Acho que, a todos os níveis, essa atenção acaba por ser redobrada». Rui Veloso salienta que se tem de «aprender com os erros, com aquilo que se passou e com a parte negativa para melhorar no futuro», garantindo que «toda a cadeia de comando está mais atenta».

De acordo com o responsável, «há mais formação, instrução e diálogo» para que estas situações, caso existam, «sejam detetadas a tempo e participadas ao tribunal».

«Não queremos andar a encobrir qualquer tipo de comportamento lesivo nesta área dos nossos militares», sublinha, explicando que «a primeira forma de controlar este tipo de situações é através da hierarquia» e que oficiais, sargentos e guardas têm o «dever de tutela e de supervisão perante situações que contrariam precisamente a dignidade da pessoa humana».

O comandante-geral indica que «a cadeia de comando funciona» e que há cada vez mais formação em todas as categorias, salientando que «o próprio curso de formação de guardas tem muitas disciplinas» na área dos direitos humanos, além da formação contínua ao longo da carreira.

«Infelizmente há situações que não conseguimos detetar, mas quando as detetamos comunicámo-las logo. E aí investigamos tudo e de uma forma célebre, ou seja, mal haja conhecimento da situação, nós comunicamos logo. Se for criminal, ao Ministério Público, se for disciplinar e criminal também, à própria IGAI», afirma, ressalvando que pode também ser a própria GNR a dar «logo início aos processos internos».

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