Negociações Galp-Moeve: Governo sublinha papel estratégico de Sines

O ministro da Economia e da Coesão Social afirma que o Governo está a acompanhar com cautela as negociações entre a Galp e a Moeve para a fusão de ativos de refinação e combustíveis na Península Ibérica, sublinhando que estão em causa “interesses estratégicos do Estado”, nomeadamente a refinaria de Sines.

“Aquilo que o Governo queria dizer sobre o assunto disse no comunicado que hoje saiu. É um comunicado cauteloso, como cautelosa tem que ser a atuação do Governo”, afirmou Manuel Castro Almeida em Sines, à margem de um encontro promovido pela Fundação Repsol para debater a importância deste território na descarbonização da indústria.

Questionado sobre as negociações entre a Galp e a Moeve para a fusão dos negócios de refinação e combustíveis na Península Ibérica, o governante garantiu que o Estado mantém-se atento por estarem em causa ativos estratégicos.

“Atentos, sabendo que o essencial da negociação pertence às empresas, estamos a falar de um negócio entre empresas que são privadas. Agora há uma relação com interesses estratégicos do Estado em que o Estado tem de estar atento e estará”, reforçou o governante remetendo para o comunicado divulgado sobre esta matéria.

Nessa nota, o Ministério da Economia e da Coesão Social diz que “foi informado sobre o início das negociações entre a Galp e a Moeve, para a junção de parte dos ativos e da intenção de criar duas novas plataformas empresariais: uma dedicada ao retalho de combustíveis e mobilidade, e outra dedicada à indústria petroquímica e de refinação”.

E acrescentou que “estando em causa ativos estratégicos para a soberania energética nacional, sustentabilidade ambiental, concorrência e defesa dos consumidores, e sem prejuízo de se tratar de um potencial negócio entre empresas privadas, o Governo permanece atento ao desenrolar das negociações”.

Questionado sobre se a refinaria de Sines da Galp é uma das áreas às quais o Governo vai estar atento, Manuel Castro Almeida anuiu, referindo ser “essa a questão principal”.

No comunicado, o Ministério da Economia e da Coesão Territorial lembrou que o Estado “detém uma participação qualificada de 8,24% na estrutura acionista da Galp, detida através da Parpública – Participações Públicas”.

Em causa está o acordo não vinculativo assinado entre a Galp e os acionistas da Moeve (ex-Cepsa) – a Mubadala Investment Company, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, e o fundo norte-americano The Carlyle Group – para avançar com discussões sobre a junção dos respetivos portefólios de ‘downstream’ (refinação, petroquímica e venda de combustíveis) na Península Ibérica.

O plano em estudo prevê a criação de duas novas plataformas empresariais: uma dedicada ao retalho de combustíveis e mobilidade (RetailCo), que reunirá as redes de postos de abastecimento e será co-controlada pela Galp e pela Moeve, e uma plataforma industrial (IndustrialCo), focada em refinação, petroquímica, ‘trading’ e combustíveis de baixo carbono (como biocombustíveis e hidrogénio).

Nesta plataforma industrial, a Galp terá uma participação minoritária, superior a 20%, enquanto a maioria do capital ficará nas mãos dos acionistas da Moeve. Entre os ativos potencialmente integrados encontra-se a refinaria de Sines, considerada estratégica para o abastecimento energético nacional.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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