“Este é um assunto que envolve o senhor primeiro-ministro, o ministro das Finanças, a mim e o ministro da Economia. Teremos de continuar a discutir este assunto”, disse à Lusa Maria da Graça Carvalho.
Em causa está o acordo não vinculativo assinado entre a Galp e os acionistas da Moeve (ex-Cepsa) – a Mubadala Investment Company, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, e o fundo norte-americano The Carlyle Group – para avançar com discussões sobre a junção dos respetivos portefólios de downstream (refinação, petroquímica e venda de combustíveis) na Península Ibérica.
O plano em estudo prevê a criação de duas novas plataformas empresariais: uma dedicada ao retalho de combustíveis e mobilidade (RetailCo), que reunirá as redes de postos de abastecimento e será controlada pelas duas empresas, e uma plataforma industrial (IndustrialCo), focada em refinação, petroquímica, trading e combustíveis de baixo carbono (como biocombustíveis e hidrogénio).
Nesta plataforma industrial, a Galp terá uma participação minoritária, superior a 20%, enquanto a maioria do capital ficará nas mãos dos acionistas da Moeve. Entre os ativos potencialmente integrados encontra-se a refinaria de Sines, considerada estratégica para o abastecimento energético nacional.
Maria da Graça Carvalho rejeita, no entanto, que a operação represente uma perda estratégica para Portugal, defendendo que a Galp ganhará influência sobre um conjunto mais alargado de ativos de refinação na Península Ibérica.
“A minha posição, agora estou a falar por mim, é que vejo isto por outro prisma. Quando dizem que nós perdemos o controlo de uma refinaria, eu digo que nós ganhámos o controlo de outras duas, porque em Espanha há duas”, afirmou, numa referência às refinarias da Moeve em San Roque, em Cádiz, e em Palos de la Frontera, em Huelva. “Portanto, vão ser três refinarias em que a Galp passa a ter uma influência”, acrescenta.
A ministra lembra que o processo ainda está numa fase inicial e que as empresas dispõem de um ano para negociar os termos finais do acordo e submetê-lo às autoridades da concorrência. “Vamos acompanhar de muito perto, como não podia deixar de ser, todo o assunto” – afirma, acrescentando que o Governo está “consciente das vantagens e das possíveis desvantagens se as coisas não correrem bem”, mas convencido “de que vai ser positivo.”
Segundo Maria da Graça Carvalho, a criação de um grupo de maior dimensão, através da fusão destes ativos entre as duas empresas, é uma vantagem num sector cada vez mais competitivo. “Isto dá uma massa crítica grande à empresa. E no mundo de hoje o tamanho conta. E nesta área da energia, ainda mais”, diz, acrescentando que uma empresa mais pequena “tem mais dificuldades”, num contexto de forte concorrência pelo investimento, sobretudo na energia.
A ministra lembra ainda que a Europa tem assistido a uma redução significativa do número de refinarias, o que torna relevante a existência de grupos fortes. “Sabemos que na Europa houve uma redução grande do número de refinarias. Ter um grupo forte, grande, a defender estas refinarias é muito importante”, afirma, defendendo que Sines pode desempenhar um papel central na transição energética: “Para a refinaria continuar, para a refinaria se desenvolver, para dar emprego, para produzir os elementos que são precisos para a nossa descarbonização e para exportar, como o combustível de aviação sustentável Sustainable (SAF na sigla em inglês), os biocombustíveis e tudo o que é preciso para a descarbonização.”
Questionada sobre os riscos para a soberania energética nacional, tendo em conta que a refinaria de Sines assegura cerca de 90% do consumo interno e que a maioria do capital da futura plataforma industrial poderá ficar nas mãos de acionistas estrangeiros, Maria da Graça Carvalho responde que o desfecho dependerá das negociações entre as empresas.
A ministra mostra-se confiante de que a operação poderá ultrapassar o crivo das autoridades da concorrência, ainda que reconheça a exigência do processo. “Ainda vai ter de ser a Direção-Geral da Concorrência em Espanha, em Portugal e depois a europeia, que é muito rigorosa”, afirma, garantindo que o Governo terá tempo para exigir garantias sobre a continuidade da refinaria de Sines.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.













Uma resposta
O governo garante tanta continuidade, como garantiu à Opel da Azambuja, à EDP de Sines, à siderurgia nacional, à Sorefame e muitas outras empresas que fecharam, que receberam algumas delas apoios comunitários e depois encerraram.
Se deixarmos de produzir passaremos a NET zero mas depois o que fazemos.
Sempre aprendi que para o desenvolvimento e soberania de um país teria de ter 3 setores fortes, primário produção, secundário transformação e terciário serviços e vendas.
Neste momento somos quase um país de serviços e vendas, no entanto somos deficitários em tudo o que efetivamente precisamos.