O projeto de construção do Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato ocupará uma área de 10 mil hectares e implicará a submersão da atual aldeia de Pisão.
Fonte da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Alentejo, que gere o projeto, diz que a construção da nova aldeia «deverá arrancar no início de 2027», prevendo-se que os trabalhos fiquem concluídos «no começo do ano de 2029».
A nova aldeia, que deverá ser «uma réplica» da atual, vai ser construída a dois quilómetros a norte da aldeia que ficará submersa, junto ao lugar do Monte da Velha.
De acordo com a CIM, os «8,1 hectares» da nova aldeia incluem também áreas reservadas à sua expansão. A área habitacional – prossegue – poderá situar-se em cerca de 9.600 metros quadrados (m2), correspondente a «cerca de 114 habitações», podendo também «sofrer alterações» em função das «opções finais de indemnização ou realojamento» a serem escolhidas pelas famílias, fatores que «terão influência direta» no desenho final do plano de pormenor.
As tipologias habitacionais propostas procuram adaptar-se às diversas frentes urbanas existentes na aldeia atual, «variando entre frentes de seis metros e 16 metros», para «preservar a escala, o ritmo, a memória e o espírito» da aldeia.
«Até ao momento, foram desenvolvidos estudos preliminares de tipologias habitacionais entre T1 e T4, cuja maioria apresenta áreas indicativas entre 80 m² e 150 m²», acrescenta a mesma fonte, revelando que os estudos preliminares vão ser «objeto de avaliação e discussão» com a população durante o mês de maio.
«Para além da componente habitacional, a nova aldeia do Pisão integra ainda áreas destinadas a comércio, junta de freguesia, centro interpretativo/espaço memória, espaço multiusos, espaços verdes, circuitos pedonais, miradouro, estacionamento e estruturas locais de apoio, incluindo extensão de saúde», diz a CIM do Alto Alentejo.
Na atual aldeia de Pisão, que ficará submersa na sequência da construção da barragem, residem permanentemente entre 65 e 70 pessoas.
A Barragem do Pisão, considerada estratégica para a resiliência hídrica da região, será financiada através do programa Sustentável 2030, recorrendo a verbas do Fundo de Coesão, após aprovação da transferência pela Comissão Europeia.
Com um investimento superior a 220 milhões de euros, a barragem visa garantir o abastecimento público de água, criar novas zonas de regadio e fomentar a produção de energia renovável.
O projeto da nova aldeia foi este fim de semana apresentado pela CIM à população, no Auditório Municipal do Crato.




No decorrer da sessão, foi ainda apresentado o gabinete pluridisciplinar, que integra técnicos da Comunidade Intermunicipal e do Município do Crato, de áreas como engenharia, ambiente, ação social, sociologia, arquitetura, arqueologia e jurídica, para assegurar um «acompanhamento próximo e contínuo» ao longo de todo o processo.
Este gabinete, visa «apoiar as famílias, esclarecer dúvidas e garantir uma comunicação transparente».
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: CIM do Alto Alentejo/D.R.










