Novo Hospital Central do Alentejo com obras sem fim à vista

A conclusão do futuro Hospital Central do Alentejo voltou a ser adiada, agora para 2027, no quinto deslize num calendário que começou em 2020 e que continua a afastar a promessa de uma obra concluída em tempo útil. Os custos, esses, já somam uma “derrapagem” de 58%. E a aumentar. Luís Godinho (texto)

Não há dois sem três, nem quatro sem cinco. A data para a conclusão das obras do futuro Hospital Central do Alentejo, em Évora, voltou a ser adiada. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que recentemente visitou as obras, aponta agora para 2027 como a data prevista para que o hospital fique concluído. É o quinto adiamento.

O concurso público relativo à empreitada foi ganho pelo grupo espanhol Aciona, em abril de 2020, tendo a construção sido adjudicada pela então Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo em novembro desse ano, depois do visto do Tribunal de Contas, e consignada oito meses depois. Os trabalhos iniciaram-se em novembro de 2021, com a garantia do Ministério da Saúde de que seria possível concluir a construção “até dezembro de 2023”.

Os prazos – tal como os custos, como adiante se verá – rapidamente começaram a derrapar. Em julho de 2022, a ex-ministra da Saúde, Marta Temido, visitou as obras pela primeira vez: “Foi muito difícil chegar aqui e sabemos que ainda temos muitas dificuldades pela frente”, sublinhou, admitindo que, afinal, só em 2024 é que o novo hospital entraria em atividade.

Depois de um Conselho de Ministros, em junho de 2023, ter autorizado despesa de 204,8 milhões de euros para o projeto, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, reafirmava: “Contamos que o hospital esteja concluído em 2024”.

Pouco depois, um outro ex-ministro socialista, Manuel Pizarro, que sucedera a Marta Temido, torna-se o segundo governante a visitar as obras, reafirmando a data para a inauguração de uma unidade de saúde que irá “dispor de tudo o que há de mais moderno na medicina”.

Passou 2024, mudou o Governo, e logo surgiu a confirmação do (enorme) atraso nas obras, com a ex-secretária de Estado da Gestão da Saúde, Cristina Vaz Tomé, a informar o Parlamento que a data prevista para a inauguração passava a ser “meados” de 2025.

A atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, já visitou as obras por duas vezes. E sempre com novidades. Da primeira vez, em abril passado, apontou 2026 como o ano para a conclusão das obras. Decorridos sete meses “salta” para 2027. Atualmente, disse, a empreitada tem “mais de 70% de execução”, apontando o ano de 2027 como a data prevista para a conclusão das obras, ainda que assinalando a existência de decisões “que têm de ser tomadas agora” em relação a “algumas alterações ao projeto”.

Depois, será “preciso rever o acordo” com a Câmara Municipal de Évora para a questão dos arruamentos e dos acessos, adiantou a ministra, indicando que já ficou “apalavrada” uma reunião com o presidente do Município, Carlos Zorrinho: “Queremos muito que o novo hospital esteja pronto, a obra, e, depois, temos toda a parte do equipamento e a parte também de recursos humanos, mas isso tem que se fazer simultaneamente”.

Da parte dos equipamentos, a previsão inicial apontava para uma necessidade de investimento na ordem dos 30 milhões de euros, valor esse que terá de ser revisto antes da abertura do respetivo concurso público. Em declarações aos jornalistas, Ana Paula Martins lembrou que a futura unidade hospitalar “faz muita falta, não só à região do Alentejo”, admitindo a falta de condições das atuais instalações paraprofissionais e doentes.

Custos disparam

À medida que o tempo passa, os custos sobem. “Uma obra, quando leva muito tempo, acaba sempre por ter derrapagens. E esta já vai em 58% de derrapagem e eu diria que não vamos ficar por aqui”, afirmou Ana Paula Martins depois da visita à empreitada. Registe-se o “não vamos ficar por aqui”.

Segundo a ministra, o plano do novo hospital apontava para obras de construção na ordem dos 150 milhões de euros – valor que corresponde ao da adjudicação ao grupo espanhol Acciona – mas agora, com “58% de desvio”, a empreitada ascenderá a cerca de 237 milhões de euros. “Muita coisa muda até em termos dos requisitos de segurança e de qualidade assistencial”. Palavra de ministra.

Citado pela Lusa, o presidente da Câmara de Évora, Carlos Zorrinho, disse ver a visita da ministra às obras do novo hospital como “uma vontade do Governo” para, em conjunto com o município e a unidade local de saúde, se “acelerar e concluir o mais rápido possível” o investimento.

“A Câmara está preparada para lançar todas as empreitadas das acessibilidades e depende de duas coisas, que a Estamo [sociedade de capitais públicos para compra, venda e gestão de imóveis e património] nos disponibilize o terreno público que precisamos e que o protocolo que permite as expropriações seja posto em prática”, acrescentou Carlos Zorrinho.

O futuro Hospital Central do Alentejo terá 360 camas em quartos individuais, 11 blocos operatórios, cinco postos de pré-operatório e 43 postos de recobro, entre outras valências.

2 Responses

  1. Se corresse tudo bem é que era de admirar…não é assim com tudo ? As pontes o aeroporto e e e tantos outros , por isso podem aumentar os impostos para o dobro que mesmo assim não chega .

  2. – Antes do arranque , Existía un projecto , um orçamento para uma execução um tempo de execução e uma empresa para executar , aprovados !
    – 3 principais motivos para não cumprir os tempos ?
    – 3 principias motivos para não cumprir os orçamentos?
    – 3 principais responsáveis por esta incompetência?
    Sem rodeios , sem mentiras !

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