NTT Data aposta em Évora para desenvolver tecnologia com impacto global

Instalada no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT), a NTT Data tem em Évora um hub tecnológico dedicado a soluções digitais e experiência do utilizador. Ricardo Tenreiro, diretor da multinacional em Portugal, explica à Alentejo Ilustrado por que razão a empresa escolheu o Alentejo para descentralizar a sua atividade e por que considera que a região é hoje «um parceiro estratégico» para o crescimento da empresa.

Luís Godinho (texto)

Multinacional presente em mais de 50 países, a NTT Data instalou em Évora um hub tecnológico dedicado a soluções digitais e experiência do utilizador. A decisão, explica Ricardo Tenreiro, diretor da empresa, resulta de uma estratégia mais ampla, a de «criar hubs especializados fora dos grandes centros urbanos, aproximando talento, academia e clientes».

Segundo Ricardo Tenreiro, Évora «oferecia uma combinação muito relevante» para a instalação deste hub, não apenas devido ao «ecossistema de inovação no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT)», mas também pela «proximidade à Universidade de Évora e ao Politécnico de Beja, qualidade de vida e capacidade de desenvolver equipas tecnológicas especializadas».

«Encontrámos um ecossistema com ambição, colaboração e foco em transferência de conhecimento», acrescenta o responsável, recordando o hub de Évora começou por se dedicar ao desenvolvimento da parte visível de sites e aplicações, à melhoria da experiência dos utilizadores e à inovação, usando sobretudo tecnologias como React, Angular e Node.js. 

«Desde então, a evolução passou por reforçar conhecimentos, integrar equipas em projetos mais exigentes e juntar esta área especializada às restantes competências da NTT Nata, como aplicações, experiência do cliente, soluções digitais, cloud, dados e inteligência artificial», sublinha.

A trabalhar simultaneamente para clientes nacionais e em projetos internacionais da multinacional, a proximidade ao meio académico foi, segundo Ricardo Tenreiro, «determinante» para a instalação da empresa, sendo que a proximidade à Universidade de Évora e ao Politécnico de Beja constituiu, «desde o início», uma vantagem para atrair profissionais, estabelecer parcerias, promover formação e ajudar os trabalhadores a adquirir novas competências ou a atualizar as que já tinham.

«Ao longo destes anos conseguimos reunir profissionais com forte espírito de colaboração, vontade de aprender e capacidade de entregar com qualidade projetos relevantes para clientes nacionais e internacionais. Naturalmente, continuamos a crescer, mas aquilo que mais me orgulha não é a dimensão atingida — é o talento, a evolução contínua das pessoas e o impacto que a equipa de Évora tem vindo a gerar», sublinha.

Sobre a perceção do interior como território periférico, Ricardo Tenreiro é direto: «A experiência em Évora mostra precisamente o contrário. A tecnologia reduziu a dependência da localização física e revelou que é possível criar valor global a partir de territórios fora dos grandes centros urbanos». Entre as vantagens da cidade, aponta «qualidade de vida, estabilidade das equipas, proximidade académica, menor pressão urbana, ligação ao ecossistema do PACT e capacidade de criar uma proposta de carreira diferenciada».

Ainda assim, subsistem desafios «transversais ao país», como a «escassez de perfis tecnológicos especializados, mobilidade, habitação e ligações de transporte», que podem ser «trabalhados em parceria com a academia, o poder local, empresas e estruturas como o PACT».

Quanto ao futuro, Ricardo Tenreiro garante que a criação do hub em Évora «não foi pensada como uma experiência pontual, mas como parte da estratégia de crescimento e descentralização da NTT Data em Portugal». E acredita ainda que a presença de empresas tecnológicas internacionais pode gerar um efeito de arrastamento na economia regional, «estimular empreendedorismo, criar emprego qualificado e reforçar a ligação entre empresas, academia e start-ups».

«O Alentejo», prossegue, «reúne condições para se afirmar como um polo tecnológico de referência em Portugal, mas ainda há caminho a percorrer. O potencial existe: academia, qualidade de vida, infraestruturas como o PACT e empresas âncora. O desafio é escalar talento, conectividade, mobilidade e massa crítica empresarial».

No balanço destes anos de presença na região, Ricardo Tenreiro não tem dúvidas: «A NTT Data não veio apenas instalar mais um polo. Encontrou em Évora e no Alentejo um parceiro estratégico para crescer de forma mais distribuída, sustentável e próxima do talento. O valor está na região, nas pessoas e na capacidade de construir tecnologia com impacto a partir de novos centros de conhecimento».

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