Realizado por Pedro FM da Silva, o filme nasceu do projeto comunitário com o mesmo nome, dinamizado pela Fundação O Cerro – Cultura e Ensino na freguesia de São Luís, em Odemira. A iniciativa contou com a colaboração de várias entidades locais e foi financiada pelo programa Partis & Art for Change, das Fundações Calouste Gulbenkian e BPI “La Caixa”.
Coordenado por Maria de Vasconcelos, o projeto reuniu, ao longo dos últimos meses, os membros do Grupo de Teatro Comunitário de São Luís, os residentes da Casa do Povo e jovens da freguesia, “num confronto entre gerações onde emergem tanto mágoas antigas como afetos intemporais”, segundo explica a fundação em comunicado.
Dessa experiência resultou um espetáculo de teatro “imersivo”, apresentado em julho, cujo processo criativo foi acompanhado pela câmara de Pedro FM da Silva. “Entrevistas, memórias e partilhas revelam não só as marcas profundas das desigualdades do passado, mas também os desafios que ainda hoje se colocam a um território fértil e, ao mesmo tempo, marcado pela aridez de oportunidades”, acrescenta a mesma fonte.
Segundo a Fundação O Cerro, “mais do que um registo documental, ‘O Tempo Cura?’ é um olhar crítico e poético sobre o latifúndio no Alentejo, evocando a memória coletiva e a resistência da criação artística em meios rurais”.
A estreia está marcada para as 21h00 de sexta-feira, no cineteatro Camacho Costa, em Odemira. O documentário será depois exibido em várias localidades do concelho.
Pedro FM da Silva, um dos fundadores do movimento de slam poetry em Portugal, é formado em Cinema, Televisão e Multimédia pela Universidade Lusófona. Em 2024 integrou a equipa do filme “As Meninas Exemplares”, de João Botelho, e desenvolve atualmente a curta-metragem “Entre Paredes”, em parceria com a produtora Maria & Meyer, projeto apoiado pela Fundação GDA.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.












