Obras na casa de Luís Neves em Odemira envoltas em polémica

O ministro da Administração Interna (MAI) diz que o empreiteiro que está a remodelar um imóvel particular seu, em Odemira, fez contratos de dois milhões de euros para obras na Polícia Judiciária, mas a maioria antes de conhecer o ex-diretor nacional.

O semanário Nascer do Sol noticiou, na sexta-feira, que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na Polícia Judiciária (PJ) quando Luís Neves era diretor nacional.

Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.

Questionado sobre o caso, Luís Neves esclareceu, no entanto, que todas as adjudicações resultaram de procedimentos de contratação pública e salientou que, durante mais de 70% do período em que a empresa trabalhou para a PJ, ainda não conhecia o empreiteiro.

O governante acrescentou que os contratos celebrados depois de estabelecer uma relação de proximidade com o empresário — que conheceu durante a inauguração de uma obra — «decorreram de um segundo contrato».

Relativamente à remodelação do imóvel particular, Luís Neves disse que começou por pedir uma opinião técnica ao amigo e acabou por contratá-lo para executar os trabalhos.

Afirmando estar de consciência tranquila, o governante garantiu não existir qualquer favorecimento no preço da empreitada e afirmou estar disponível para apresentar as faturas, registadas no e-faturas e declaradas à Autoridade Tributária, justificando que ainda não o fez por falta de oportunidade.

As obras abrangem, segundo explicou, «uma parede, uma casa de banho e um alpendre» onde foi instalado um tanque, devendo representar um custo entre «os 20 mil ou 30 mil euros», a liquidar após a conclusão dos trabalhos.

Questionado se se arrepende da contratação, Luís Neves respondeu: «Sabendo o que sei hoje, naturalmente o percurso teria sido diferente, sem nunca renegar a amizade».

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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