Odemira estreia bienal de arte e ciência e lança bolsa Madalena Victorino

Artistas, investigadores, profissionais da cultura e comunidades locais vão juntar-se em outubro, em Odemira, numa bienal que cruza arte e ciência para valorizar a diversidade cultural e ecológica do território.

A «edição zero» da Bienal de Arte e Ciência de Odemira (BO) vai decorrer entre 3 e 5 de outubro, em diversos espaços situados nas localidades de Odemira, Vila Nova de Milfontes, Sabóia e São Luís, numa organização da câmara municipal, com curadoria de Hugo Cruz.

A iniciativa tem como mote «Tentemos» e propõe «um processo contínuo de criação coletiva, valorizando a diversidade cultural e ecológica do território e o cruzamento entre diferentes disciplinas e áreas do saber», explica a organização.

«A ideia de coconstruir a BO alicerça-se na convicção de que a cultura e a arte podem ser espaços privilegiados para imaginar, experimentar, dialogar e pensar outras formas de habitar o presente e, assim, concretizar outros futuros», sublinha Hugo Cruz.

Para o curador da bienal, esta «afirma-se como um primeiro gesto, com base na pujante e diversa atividade cultural de Odemira, no sentido da estruturação e consolidação de uma plataforma internacional de criação, experimentação, formação e programação».

Já o presidente da Câmara de Odemira, Hélder Guerreiro, indica que o município quer que a iniciativa «seja muito mais do que um novo evento cultural» no concelho: «Queremos criar uma plataforma de encontro e reflexão, capaz de aproximar diferentes disciplinas, gerações e comunidades e de colocar Odemira no diálogo com outras regiões e com o mundo».

O autarca diz ainda acreditar «na capacidade da cultura para fazer pontes», esperando que a bienal sirva para «construir Odemira como território de cultura, conhecimento, criatividade e futuro».

Ao longo de três dias, o evento vai reunir artistas, investigadores, profissionais da cultura e comunidades locais, através de um programa que integra conversas, caminhadas, oficinas, instalações, concertos, performances e encontros.

A sessão de abertura está agendada para o dia 3 de outubro, às 15h00, no jardim Sousa Prado, em Odemira, momento em que será também apresentada a nova Bolsa Internacional de Criação Artística Madalena Victorino.

O primeiro dia conta ainda, entre outros destaques, com a abertura de «Selva Coragem», uma instalação do Teatro do Frio construída com plantas emprestadas por moradores de Odemira, a conversa «Tentemos confluências entre arte e ciência», com diversos oradores, e a oficina participativa «Party Lab», por Álvaro Valls.

No dia seguinte, terão lugar a conversa «Tentemos o lugar», sobre «as múltiplas formas de habitar, interpretar e transformar a paisagem», e a oficina participativa «Música das Esferas», com Álvaro Valls.

A inauguração da instalação «(enlaça o ficar!)», de Carlos Noronha Feio, que parte das paisagens, histórias e comunidades de Odemira «para refletir sobre permanecer, pertencer e criar laços», e um concerto do multi-instrumentista Adam Ben Ezra são outros dos destaques no programa do segundo dia.

A «edição zero» termina a 5 de outubro, dia em que será apresentada «Tentemos», uma criação da ondamarela com a comunidade de Odemira e que conta com a participação da fadista Gisela João, seguindo-se um jantar comunitário.

Ao longo dos três dias, terá também lugar o Encontro Internacional de Programadores e Curadores, que vai juntar profissionais nacionais e internacionais, para dar a «conhecer o ecossistema artístico de Odemira, promover redes e criar novas oportunidades de colaboração».

O objetivo é «reforçar a visibilidade da criação existente no território e afirmar Odemira como espaço de criação contemporânea e intercâmbio internacional», segundo a organização.

Fotografia: A coreógrafa e programadora Madalena Victorino dá nome a uma bolsa de ccriação artística. © Festival de Almada

7 Responses

  1. Parabéns à câmara municipal de Odemira. Que está iniciativa sirva de exemplo à Câmara municipal de Aljezur.

  2. Simplificando, querem transformar o Alentejo noutra coisa qualquer …
    Pena é que sejamos todos a pagar. Os artistas deviam de trabalhar e produzir os seus próprios meios de subsistência.

    1. Posso não concordar com maior parte das iniciativas da CMO. Mas, na minha opinião, os artistas devem ser remunerados como qualquer outro trabalhador. A cultura não é um entretenimento, é algo tão importante, como outra actividade. Para além disso, torna os Homens melhores, mais curiosos e mais atentos à realidade.
      Uma sociedade sem cultura, não existe, é cinzenta, fria.

  3. Que esta iniciativa fabulosa se repercuta pelos municípios pais afora.
    Muitos parabéns.

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