Oleiro por um dia, “varredor” nas urnas: Ventura em modo campanha total

De avental amarelo e mãos no barro, André Ventura assumiu-se oleiro por um dia em Viana do Alentejo, antes de prometer “varrer a CDU e o PS” nas eleições autárquicas de 12 de outubro, numa jornada de campanha que o levou também a Reguengos de Monsaraz.

Depois de dois dias ausente da campanha por uma razão “pessoal e familiar”, André Ventura regressou em força ao Alentejo. O presidente do Chega começou o dia em Reguengos de Monsaraz e seguiu para Viana do Alentejo, onde se deixou fotografar a moldar barro e assegurou que o partido está pronto para “varrer tudo o que é a CDU e o PS do Alentejo”.

Com 30 graus a meio da tarde, o líder do Chega refrescou-se com uma mini no Café Central de Viana, antes de visitar a olaria de Feliciano Mira Agostinho. De camisa branca e calças de fato, vestiu um avental amarelo e tentou dar forma a um copo de barro. “Um político tem de por as mãos no trabalho”, comentou Ventura, no final.

O oleiro, com mais de 40 anos de ofício, elogiou o desempenho: “Para a primeira vez, foi aventureiro e até se desenrascou.” E acrescentou: “Não me posso queixar do aprendiz. Já vi bem pior.” Antes de sair, Ventura recebeu um prato com uma figura religiosa e um chocalho.

Seguiu-se um comício “à moda antiga”, dispensando microfone pela dimensão da praça. Ventura pediu uma oportunidade para mostrar que o Chega faz diferente, garantindo “tolerância zero à corrupção” e prometendo “limpar Portugal”. O líder sublinhou ainda: “Somos o muro contra a esquerda e a extrema-esquerda” e antecipou que “vão desaparecer mais ainda nestas eleições”.

Em Reguengos, ao lado da candidata Raquel Silva, o dirigente falou num “reinício da campanha” para alcançar uma “grande vitória” e defendeu que o Chega deve afirmar-se como “uma grande força autárquica” capaz de “impulsionar ainda mais” os resultados das legislativas.

Retomando uma crítica habitual, Ventura afirmou: “O Chega não tem nada contra nenhum grupo nem nenhuma minoria, mas os ciganos não se estão a portar bem em Portugal, não se estão a portar bem, e nós precisamos de autarcas que não tenham medo.”

Questionado sobre a polémica em torno do deputado José Dotti, acusado de violar a lei ao celebrar um contrato por ajuste direto com uma junta de freguesia, o presidente do Chega respondeu que o próprio colocou “uma questão” à comissão parlamentar de transparência, defendendo que é preciso aguardar pela decisão do parlamento.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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