Ovibeja: PS avisa que apoios à viticultura podem desaparecer após 2027

O secretário-geral do PS alertou para o risco de desaparecerem os apoios diretos à viticultura no próximo quadro comunitário, estimados em cerca de 60 milhões de euros por ano.

«Estamos a ver com muita preocupação o facto de, no quadro comunitário 2028-2034, poderem desaparecer os apoios diretos ao setor vitícola», disse José Luís Carneiro aos jornalistas, durante uma visita à Ovibeja.

O dirigente socialista, que se escusou a falar de outros assuntos da atualidade, realçou que «60 milhões de euros por ano podem estar em risco», salientando que o montante «é muito importante, particularmente, para apoiar a reestruturação da vinha».

«Com os governos do PS, foi feita a reestruturação de 40% da vinha portuguesa», através de «um dos programas melhor sucedidos de sempre, o programa Vitis», referiu, destacando o contributo dos antigos governantes Capoulas Santos e Luís Vieira.

Carneiro disse estar também contra «a possibilidade de, no quadro comunitário de apoio 2028-2034, poderem retirar os apoios diretos aos agricultores reformados», assinalando que «uma parte significativa dos agricultores tem mais de 65 anos».

«Os apoios diretos desses agricultores são decisivos para a dignidade das suas condições de vida», sublinhou.

Nas declarações aos jornalistas, o secretário-geral do PS defendeu que o Governo deveria convocar uma reunião da Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar (PARCA), devido aos efeitos na agricultura da guerra no Médio Oriente.

A convocatória desta plataforma é necessária «para garantir uma observação diária, semanal, dos efeitos que esta crise inflacionária está a ter na agricultura e para que o próprio Governo possa adotar medidas ajustadas às necessidades», frisou.

O secretário-geral do PS aludiu ainda aos 200 milhões de euros de prejuízos estimados na agricultura causados pelas tempestades e a declarações do ministro José Manuel Fernandes no parlamento de que tinham sido executados três milhões, considerando ser «necessário que, além da apresentação de planos, haja mesmo execução das medidas».

Sobre a 42.ª Ovibeja, disse que o certame «é uma demonstração da força e importância da agricultura no desenvolvimento da região e do país».

Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: António Carrapato/Lusa

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