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PATC: A aposta de Soumodip Sarkar num Alentejo tecnológico

Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia reúne 64 empresas e dinamiza uma rede de parceiros que inclui a Universidade de Évora, os Politécnicos de Beja e de Portalegre, mais incubadoras tecnológicas e centros de investigação. Luís Godinho (texto)

Está inaugurado o complexo 3.0 do Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT), em Évora. Dito assim, talvez pareça pouco. Mas é aqui que já se encontram instaladas 64 empresas, atingindo um total de 550 postos de trabalho, uma centena dos quais em fase de contratação. Professor da Universidade de Évora e presidente executivo do PACT, Soumodip Sarkar revela que todas estas empresas já representam um volume de faturação perto de 50 milhões de euros.

“É dinheiro que fica na região”, referiu Soumodip Sarkar, no discurso de inauguração do complexo, projetado pelo arquiteto Carrilho da Graça. “Há um novo Alentejo que está a nascer”, garante. Um Alentejo que este catedrático, licenciado em economia pela Universidade de Calcutá, doutorado em Boston e com uma passagem por Harvard, classifica como uma região “cheia de promessas”.

Não é de hoje que o faz. Há sete anos, por exemplo, num artigo de opinião, lembrou ter escrito que quem chega ao Alentejo encontra uma “região cheia de promessas, com uma beleza fantástica, com a melhor gastronomia e o melhor vinho tinto do mundo”, mas há também potencial para “ser uma região inovadora e tecnológica”.

“Alguns elogiaram, outros perguntaram quem era o oriental a dizer umas coisas que não sabe”, recordou Soumodip Sarkar perante uma plateia onde se encontravam o primeiro-ministro, Luís Montenegro, entre outras personalidades.

“A verdade é que sempre considerei o Alentejo uma região prometedora do lado tecnológico”, sublinhou o presidente do PACT, considerando que este projeto, iniciado em 2016, era então Jorge Araújo o reitor da Universidade de Évora, aí está para o provar.

Líder do Sistema Regional de Transferência de Tecnologia (SRTT), o parque dinamiza uma vasta rede de parceiros, onde se inclui a Universidade de Évora, os Politécnicos de Beja e de Portalegre, mais incubadoras tecnológicas e centros de investigação, criando o que classifica de “ecossistema” para “promover a ligação entre a comunidade académica e o mundo empresarial, com o propósito de criar valor para o mercado e para a região”.

Voltando ao discurso de Soumodip Sarkar: “O Alentejo está a mudar, hoje é bem diferente de há 10 anos e espero que daqui a outros 10 seja considerado o Silicon Valley europeu”. É em Silicon Valley (São Francisco, Estados Unidos) que se encontra instalada a maior aglomeração de empresas tecnológicas do mundo. É esse o objetivo que o catedrático da UE quer replicar, e que agora reafirma, depois de já o ter feito numa carta aberta ao ex-primeiro-ministro, António Costa, subscrita por uma centena de personalidades, entre as quais a atual ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho.

“Lembro-me de ter causado alguma insónia à atual reitora da Universidade [Hermínia Vilar], na altura presidente da assembleia geral do PACT, quando apresentei o plano para construir estes quatro edifícios, porque estava muito preocupada sobre como iria conseguir atrair tantas empresas e o financiamento necessário”, referiu Soumodip Sarkar, acrescentando que essa perspetiva de dificuldades era ensombrada pela crise pandémica que assolava o mundo.

“Respondi que não sabia, mas tive as condições certas e o apoio de muitos. Não só conseguimos assegurar a contrapartida nacional desta construção, como também atingimos rapidamente o ponto em que a sustentabilidade económica do espaço fica assegurada, preservando assim a sustentabilidade financeira deste novo parque”.

Não foi só aqui que a “aventura” lhe correu de feição. Depois de ter pedido três anos para conseguir preencher o espaço, contados a partir de fevereiro passado – “não quis ficar com necessidade de encher e deixar de fora empresas de alta tecnologia” -, Soumodip Sarkar orgulha-se de ter atingido uma taxa de ocupação “perto dos 100%” em menos de dois meses.

“É com orgulho que vimos diariamente o PACT a crescer com empresas que trabalham de uma forma séria e competente as novas tecnologias, tais como a inteligência artificial na gestão de mobilidade urbana, cibersegurança nas operações ecológicas, passando pelo desenvolvimento de soluções inteligentes de recolha de resíduos urbanos ou até mesmo a conceção do primeiro avião português”, revelou.

Entre as empresas já ali instaladas inclui-se a Mercuris Health, que oferece serviços de consultoria a hospitais públicos e privados e centros de tratamento do cancro em todo o mundo, o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento, que desenvolve e opera novos produtos e serviços para indústrias tecnologicamente avançadas, incluindo a aeronáutica, ou a consultora KPMG que aqui abriu um centro tecnológico. “É uma obra transformadora para o Alentejo”, resume Soumodip Sarkar.

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