Há seis intervenções consideradas “prioritárias” no Sistema Fortificado de Estremoz, classificado como Monumento Nacional desde 1910. A necessidade destas intervenções “prioritárias” foi identificada por técnicos do Património Cultural – Instituto Público, que se deslocaram a Estremoz na sequência da derrocada do revelim da Porta de Évora.
“Foram identificadas, até ao momento, cinco intervenções prioritárias no sistema fortificado. A sexta situação não pertence à muralha, mas sim ao muro de contenção, limítrofe do Largo de D. Dinis, que derrocou”, diz fonte oficial do Património Cultural, explicando que este muro “foi também identificado como prioritário, porque se localiza em miradouro, muito próximo de imóveis classificados, e porque acarreta riscos para utentes e casas em ruas próximas, de cota inferior ao Largo”.
De acordo com a mesma fonte, “não foram identificadas, até ao momento, outras situações em perigo de derrocada”, ainda que esta semana se tenha registado a queda de algumas pedras do troço de muralha junto à Porta da Frandina.
O Património Cultural revela que o projeto de recuperação para o Baluarte de Nossa Senhora dos Prazeres, ou dos Currais, “já existe e foi aprovado, assim como o projeto de reconstrução/consolidação do muro de contenção no Largo de D. Dinis”, remetendo responsabilidades para a Câmara de Estremoz: “Por serem projetos desenvolvidos pelo Município, cabe à autarquia pronunciar-se sobre a sua apresentação”, ou seja, calendarizar a intervenção.
No caso do muro da Rua dos Fidalgos, o presidente da Câmara de Estremoz, José Daniel Sádio, indicou, em recente reunião do Executivo, que o concurso para as obras de restauro poderá ser lançado no próximo mês de março, num investimento que andará pelo meio milhão de euros e que será cofinanciado por fundos comunitários.
“Quanto aos restantes paramentos [face interior ou exterior da muralha] pertencentes ao sistema fortificado, deverão ser elaborados projetos de consolidação e recuperação por troços, consoante as situações de risco”, acrescenta o Património Cultural, sublinhando que o caso do revelim da Porta de Évora “é o que apresenta maior complexidade, porque implica um estudo estrutural do conjunto mais alargado e não apenas do revelim, bem como a reconstrução, com reforço da estrutura que derrocou” no passado dia 29 de janeiro.
Em resposta a uma pergunta sobre qual a avaliação preliminar efetuada pelos serviços municipais quanto às causas desta derrocada, José Daniel Sádio apontou o agravamento das condições climáticas: “Infiltração e acumulação excessiva de água, fruto da intempérie e do acumulado de precipitação dos últimos meses”.
O Património Cultural – Instituto Público sustenta esta conclusão. Recordando que o revelim da Porta de Évora “já tinha ruído em anos anteriores e tinha sido reconstruído pela última vez em 1996”, pela então Direção Regional de Edifícios e Monumentos do Sul, a mesma fonte diz não estarmos perante um caso de “mau estado de conservação”, tendo sido outros os fatores que estiveram na origem desta nova derrocada.
“Cargas excessivas devido à passagem de carros, ausência de impermeabilização de estradas e consequente infiltração de águas para o interior do revelim e, sobretudo, o corte na estrutura do revelim, quer no sentido transversal, quer no sentido perpendicular, provocado pelas estradas, são fatores que contribuíram para que a derrocada ocorresse de novo”, sublinha.
Este organismo do Estado, responsável pela salvaguarda, conservação e gestão do património cultural, lembra que os revelins “são estruturas defensivas avançadas, pertencentes a sistemas fortificados abaluartados, que não foram construídos para acesso viário nem preparados para aguentarem esforços, cargas e infiltrações de água como as que se verificam neste caso em particular”.
E, por isso, adverte, “o projeto futuro a desenvolver deverá analisar, do ponto de vista estrutural, todo o conjunto, refira-se o revelim, as pontes, a drenagem dos acessos e o passadiço em madeira junto à porta”.
Após a derrocada, parte do tabuleiro da ponte ficou sem sustentação, encontrando-se “parcialmente apoiado pelo paramento poente do revelim que não derrocou e pela ponte de alvenaria”.












