Paulo Freitas do Amaral: «Os postais de correio e as fotos de Instagram»

Artigo de opinião de Paulo Freitas do Amaral, historiador e escritor

No final do século XIX e no início do século XX, os postais ilustrados tornaram-se uma das formas mais populares de partilhar uma viagem, uma paisagem ou simplesmente o lugar onde se passavam férias. Enviava-se um postal à família, aos amigos ou à pessoa de quem se gostava, quase como hoje se publica uma fotografia no Instagram… mudaram a tecnologia e a velocidade, mas não tanto a vontade de mostrar onde estivemos.

Os antigos postais são hoje uma extraordinária fonte para o historiador, porque aquilo que parecia ser apenas uma recordação turística acabou por preservar pedaços de uma sociedade. Através deles conseguimos acompanhar a evolução urbanística das cidades, as alterações das paisagens e da costa, as transformações dos monumentos e até a afirmação dos primeiros destinos turísticos.

Mas há mais… aparecem pessoas, trajes que então eram quotidianos e que hoje parecem exclusivamente folclóricos, formas de lazer, meios de transporte, hábitos sociais e maneiras diferentes de ocupar os espaços públicos. E no verso encontramos pequenas mensagens que permitem perceber como evoluiu a escrita, como se comunicava, o que preocupava as pessoas e a própria mentalidade de uma época.

O curioso é que o Instagram poderá vir a desempenhar uma função semelhante. As fotografias que hoje publicamos das nossas férias, das cidades que visitamos ou dos lugares onde vivemos são, sem que muitas vezes pensemos nisso, um enorme arquivo visual do nosso tempo.

Daqui a cem anos, talvez um historiador olhe para essas fotografias com a mesma atenção com que hoje observa um postal de 1900… procurando perceber não apenas como eram os lugares, mas também aquilo que nós escolhemos mostrar deles.

Afinal, entre o postal de ontem e o Instagram de hoje existe mais continuidade do que imaginamos… continuamos a querer dizer a quem está longe «estou aqui, olha onde estou».

A diferença é que o postal precisava de selo e o Instagram precisa apenas de internet.

Uma resposta

  1. Em 1953, fiz a preparação para o exame de admissão ao liceu, no 1° andar desse edifício.
    Quando os “Robertos” apresentavam o seu espectáculo, nesse Largo, éramos autorizados a descer para assistir às variadas e hilariantes peripécias desempenhadas pelos bonecos artistas … que recordo com saudade.
    Mas, muito mais saudades de quem aí morava : a Senhora D. Adrilete e o marido, o Sr. Dr. Garção Nunes, a quem estarei eternamente grato pelo apoio que deles sempre recebi, enquanto estudante … enquanto pessoa!
    Um bilhete postal …

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Partilhar artigo:

ASSINE AQUI A SUA REVISTA

Opinião

ALENTEJO CARTOONADO
por Rui Pimentel

O ALENTEJO DE SARAMAGO
Roteiros

CARLOS LEITÃO
Crónicas

BRUNO HORTA SOARES
É p'ra hoje ou p'ra amanhã

Caro? O azeite?

PUBLICIDADE

© 2026 Alentejo Ilustrado. Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por WebTech.

Assinar revista

Apoie o jornalismo independente. Assine a Alentejo Ilustrado durante um ano, por 48,00 euros (IVA e portes incluídos)

Pesquisar artigo

Procurar