A deputada comunista Paula Santos questionou o Governo sobre a reorganização da unidade de oncologia daquele hospital. O PCP quer que a ministra da Saúde confirme se, além da redução face à atividade desenvolvida até agosto, foram também canceladas as consultas atribuídas ao médico a partir de 1 de outubro.
«É difícil compatibilizar esta redução objetiva da capacidade assistencial com o discurso de alegado reforço da resposta», sustenta o partido.
Os comunistas pedem ainda ao Governo dados de atividade que demonstrem esse reforço: o número de primeiras consultas e de consultas subsequentes e os tempos de espera para primeira consulta e para início de terapêutica oncológica, antes e depois da reorganização.
Para o PCP, porém, «a questão essencial é outra: porquê alterar um serviço que funcionava bem?». Segundo o partido, a unidade era «muito provavelmente, um caso único no Serviço Nacional de Saúde», sem tempos de espera para primeira consulta nem para início de terapêutica oncológica, com resultados clínicos «ao nível dos melhores do país» e sem «queixas relevantes quanto ao seu funcionamento». «A mobilização espontânea de centenas de cidadãos em sua defesa demonstra a confiança que os utentes depositavam neste serviço», acrescenta.
O PCP quer, por isso, conhecer «que avaliação técnica e que fundamentação clínica» sustentaram a decisão e que ganhos «concretos e mensuráveis» se esperam para os doentes. «Até ao momento, essa explicação continua por dar», refere.
Na mesma pergunta, os comunistas querem saber se o Governo confirma a recusa de propostas de três médicos internistas que pretendiam fixar-se no Hospital de Portalegre. Pedem os fundamentos invocados, a data em que tal aconteceu e o parecer dado pela direção do serviço de medicina interna. Perguntam ainda como «se justifica tal decisão num hospital e numa região com reconhecidas dificuldades de fixação de profissionais de saúde».
O partido questiona também a saída de dois ortopedistas do hospital e o impacto que teve na sustentabilidade das escalas de urgência. Segundo o PCP, o serviço de ortopedia «continua sem conseguir assegurar regularmente a escala de urgência, funcionando apenas em parte dos dias da semana». Os comunistas querem saber que razões invocaram os médicos para sair, que medidas foram tomadas para os reter e como serão substituídos. Pedem também o número de doentes à espera de consulta de ortopedia na ULS do Alto Alentejo, o tempo médio de espera e quantos já ultrapassaram o tempo máximo de resposta garantido.
Quanto à maternidade do distrito, que «mantém constrangimentos que obrigam grávidas a serem encaminhadas para outras unidades hospitalares», o PCP pergunta quantos especialistas em ginecologia/obstetrícia estão afetos ao serviço e quantos seriam necessários para garantir a escala completa.
Pergunta também quantos concursos foram abertos nos últimos dois anos, com que resultado, e quantas grávidas foram encaminhadas para outros hospitais por insuficiência de escala nesse período.
«Perante este cenário, é legítimo perguntar por que razão o conselho de administração escolheu concentrar esforços precisamente num dos serviços que melhor resultado apresentava», conclui o partido. Para o PCP, «a população do Alto Alentejo merece» uma explicação clara «sobre as razões desta decisão e sobre o verdadeiro objetivo desta reorganização».










