“Saldou-se numa ação de propaganda que não abordou as questões essenciais e que se ficou por atos meramente simbólicos”, critica a estrutura regional do PCP, segundo a qual o Alentejo “necessita de ação e não de anúncios pífios, carimbos em ‘passaportes’ ou inaugurações de rotundas”. Pelo contrário, sublinha, precisa “que se mobilizem os recursos financeiros indispensáveis, utilizando as diversas fontes de financiamento existentes”.
O ministro das Infraestruturas e da Habitação percorreu a EN2 de Norte a Sul, entre os dias 21 e 24 de outubro, com o objetivo de conhecer as necessidades de 35 municípios atravessados por essa rodovia, de Chaves a Faro. O roteiro também teve paragens em diversos concelhos do Alentejo, pertencentes aos distritos de Portalegre, Évora e Beja.
Em comunicado, o PCP alude igualmente à reprogramação do Alentejo 2030, considerando que deveria ter representado uma “importante oportunidade de avaliação e de reflexão” sobre a forma como está a ser executado o programa e qual a situação da região, “objeto que devia estar na sua base”.
“Deveriam ter sido efetuadas correções que permitissem responder às necessidades existentes e aos objetivos de desenvolvimento da região”, com o envolvimento dos diversos agentes do território e um “debate amplo”, mas tal “não aconteceu”, lamenta o PCP, segundo o qual, “das novas prioridades definidas, ainda que os sectores da água e da habitação sejam importantes para a região, a forma como estão delineadas as políticas para este setor, deixam muita preocupação sobre a forma de utilização das verbas e da sua eficácia”.
A estrutura comunista realçou ainda o facto de o financiamento da eletrificação e modernização da linha ferroviária entre Casa Branca e Beja ter sido reduzido “em 60 milhões de euros” considerando que isso “demonstra os atrasos no cumprimento do objetivo da conectividade e o que isso representa de problema para a região, antevendo-se dificuldades de obtenção de financiamento para esta relevante infraestrutura”.
Segundo o PCP, “agravam-se os problemas” no desenvolvimento da situação social e económica no Alentejo, ao mesmo tempo que se aprofundam as desigualdades sociais e territoriais, assim como existe degradação dos serviços públicos e problemas em sectores fundamentais como a saúde e a educação.
Além de fazer um balanço das recentes eleições autárquicas, em que o resultado da CDU “ficou aquém das expectativas”, o PCP alerta no documento, entre outras matérias, para a necessidade de se apostar no desenvolvimento da região em áreas como a rodovia, ferrovia, saúde e educação.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.











