PCP promete em Fronteira resistência à privatização da Segurança Social

O secretário-geral do PCP avisou hoje, em Fronteira, que o Governo «vai ser novamente derrotado» — como aconteceu com o pacote laboral — se avançar para a privatização da Segurança Social.

«Atreva-se, atreva-se para ver o que lhe vai acontecer», desafiou Paulo Raimundo, na sua intervenção num almoço-convívio com simpatizantes e militantes do partido.

O líder comunista lembrou que, há sensivelmente um ano, neste mesmo concelho alentejano, tinha deixado o alerta ao executivo liderado por Luís Montenegro de que os trabalhadores iriam «derrotar o pacote laboral» proposto pelo Governo. E, «bem dito, bem certo», argumentou, deixando, agora, outro aviso ao Governo a propósito da Segurança Social.

«Se o Governo se atrever a querer pôr a mão no dinheiro do trabalho, a querer pôr a mão no dinheiro da Segurança Social, para privatizar a Segurança Social, para transferir o dinheiro do trabalho para a mão do capital, atreva-se. Vai ter aqui a resistência, a luta, a resposta dos trabalhadores contra mais esta ofensiva e vai ser novamente derrotado», garantiu.

Em Fronteira, o secretário-geral comunista defendeu que 40 anos de trabalho e de descontos são um «esforço mais que suficiente para ter direito à reforma com dignidade [e] sem nenhuma penalização».

«Não há nenhuma dúvida sobre isso. E esta é que é a grande questão para resolver no que diz respeito à Segurança Social, não é privatizar o dinheiro do trabalho, como quer o Governo», disse Paulo Raimundo, acusando o Governo de estar «a apalpar o terreno» e adotar a «tática» de «mandar o barro à parede». «Se o barro ficar, avançam com medidas, se o barro cair, não dizem nada», ironizou.

Qualificando o estudo divulgado sobre a Segurança Social como «trapalhão, cheio de mentiras, cheio de manobras», o dirigente do PCP acusou ainda o Governo de meter «os seus satélites e os seus empregados de serviço a debitarem sobre os problemas da Segurança Social».

«Confundindo Segurança Social com Caixa Geral de Aposentações (CGA), confundindo o dinheiro do trabalho com a falta de entrega do Estado à CGA, daquilo que nunca fez, mas tem que fazer, confundindo isto tudo para ver se há ou não há condições para atacar o dinheiro de quem trabalha», considerou.

Entre outros temas, no seu discurso, o secretário-geral do PCP aludiu igualmente ao «frenesim completo» já existente em torno do próximo Orçamento do Estado (OE): «Está tudo a apostar, quem aprova, quem não aprova, o que é que vai ser, o que é que não vai ser. É o frenesim total, mas não há muita coisa para saber em torno do OE».

Para Paulo Raimundo, «a dúvida não é o que é que vai ser o OE», mas sim «se o próximo OE vai dar ainda mais benefícios fiscais aos grupos económicos».

E, reiterando o que disse no sábado à noite, num jantar-comício em Olhão, no distrito de Faro, se o OE para 2027 vai manter ou acrescentar mais dos 1.900 milhões de euros em benefícios «para os chamados não residentes», ou seja, «os tais que compram blocos, bairros inteiros, prédios inteiros de habitação para especular».

«A dúvida é saber se as parcerias público-privadas vão ainda mais longe do que os 1.500 milhões de euros que saem dos nossos bolsos para entregar à Brisa, para entregar aos grupos que fazem da doença o negócio», acrescentou.

E, quem viabilizar o próximo OE na Assembleia da República, «vai ter que assumir a responsabilidade do que é que está a fazer», repetiu o líder comunista, afiançando que esse partido ou esses partidos que respaldarem a política do Governo «passa também a ser responsável pelas suas consequências».

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Bruno Lino Vassalo/D.R.

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