Segundo a Pedra Angular, associação promotora, o programa assume “contornos de excecionalidade, com a música do ensemble polaco Zarębski Piano Duo, num concerto de homenagem à criação musical no feminino e no ano em que a Polónia é o país convidado”.
O concerto, na noite de sábado (21h30), intitula-se “Um Piano, Quatro Mãos: Obras de Compositoras Polacas e Portuguesas dos Séculos XX-XXI”. A igreja matriz de Arronches, classificada como Monumento Nacional, acolhe o Zarębski Piano Duo, da Polónia, com Grzegorz Mania e Piotr Różański, que interpreta peças de compositoras polacas e portuguesas.
Este ensemble, nascido em Cracóvia, dedica-se principalmente ao repertório para piano a quatro mãos, com especial incidência nas obras dos séculos XIX e XX, conciliando o grande cânone europeu com programas menos frequentados. “O diálogo entre os dois intérpretes, o equilíbrio tímbrico e a clareza formal são elementos centrais da sua leitura dos repertórios escolhidos, denotando sempre um assinalável critério artístico, reconhecido pela crítica internacional”, adianta a mesma fonte.
Do ponto de vista do património, o Terras sem Sombra reserva a tarde de 28 de fevereiro, a partir das 15h00, para uma iniciativa com o tema “Raia, Identidades e Contrabando: A Fronteira Invisível”, que une os municípios de Arronches e La Codosera (na província de Badajoz).
A guiar os participantes vão estar, além de habitantes locais de um e do outro lado da fronteira, Dulce Simões (antropóloga e investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa), especialista no estudo das comunidades raianas do Alentejo, e José António Falcão (historiador de arte e investigador do Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta), perito em património religioso.
O percurso começa na igreja de Nossa Senhora da Esperança, notável monumento do século XVI, de onde se parte para o Marco, localidade detentora de uma singularidade: ali se localiza a ponte internacional mais pequena do mundo, com apenas seis metros de comprimento.
A povoação, metade portuguesa, metade espanhola, dispõe-se nas duas margens da Ribeira de Abrilongo, “compondo um sítio de grande beleza”, onde ainda subsiste “algum comércio, resquício de outros tempos”.
Ainda de acordo com a organização, esta atividade de sábado “propõe uma leitura da fronteira como espaço histórico e social ainda bem presente no quotidiano de Arronches”, território onde, no século XX, o contrabando se tornou “uma prática recorrente de subsistência, criando redes informais entre aldeias portuguesas e espanholas. A raia foi também espaço de passagem de refugiados e opositores políticos, deixando marcas na memória coletiva”.
A findar a jornada por terras de Arronches, a manhã de domingo, 1 de março, reserva tempo e espaço ao importante papel das mulheres na agricultura, numa iniciativa intitulada “Guardiãs do Futuro Comum da Humanidade”.
Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: Mabille Tamara












