“Esta greve acontece passados 10 anos ou 11 anos depois da última greve geral e, quer dizer, que os trabalhadores estão bastante descontentes com a proposta que o Governo lhes apresentou”, disse.
António José Seguro, que falava aos jornalistas à margem de uma visita ao Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, considera que a UGT está a dar um sinal intransigente na defesa dos trabalhadores, apesar da apresentação da nova proposta do Governo de alteração à lei laboral.
“O sinal da UGT é que é intransigente na defesa dos trabalhadores. Mas aquilo que eu tenho insistido é o seguinte: esta proposta não fez parte da proposta eleitoral dos partidos que estão no Governo, surgiu do nada de um momento para o outro”, lamentou.
Para o candidato, mais do que revisões de leis com “marca ideológica do momento”, o país deve desenvolver leis, por exemplo, que ajudem a economia e a competitividade a crescer.
“Nós devemos ter leis que ajudem a economia a crescer, a ser mais competitiva, que haja melhores salários, que se acabe com a desigualdade salarial entre homens e mulheres, que haja oportunidades para os jovens para que eles não sejam formados nas nossas universidades e depois vão trabalhar para o estrangeiro, isso é que nós precisamos”, acrescentou.
“Nós precisamos verdadeiramente de mudanças na legislação mas pela positiva, para criar mais economia, para criar mais riqueza e melhores salários, é isso que eu defendo e espero que um dia possa haver esse diálogo para se chegar a bom porto”, defendeu.
A ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, disse na quarta-feira que vai dar mais tempo à UGT para analisar a nova proposta do Governo de alteração à lei laboral, enquanto o secretário-geral da central aplaudiu a “maior abertura” do executivo.
“A UGT pediu mais tempo para analisar o anteprojeto [de reforma à legislação laboral] e para analisar as propostas de alteração ao mesmo que tínhamos avançado na última reunião”, afirmou ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, em declarações aos jornalistas, após a reunião bilateral com a UGT.
A greve geral em 11 de dezembro contra o anteprojeto do Governo de reforma da legislação laboral será a primeira paralisação a juntar as duas centrais sindicais, CGTP e UGT, desde junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da ‘troika’.
Questionado ainda pelos jornalistas em relação aos alegados casos de corrupção na área da Saúde e da criação da nova Unidade de Combate à Fraude no SNS em particular, António José Seguro disse desconhecer o objetivo da unidade, defendendo, por outro lado, que o combate à imigração ilegal tem de ser uma prioridade.
“O combate à imigração ilegal tem de ser uma prioridade, tem de se combater a imigração ilegal e organizar a imigração. Eu tenho dito e repetido de que o país precisa de imigrantes para nos ajudar a desenvolver a nossa economia, mas essa imigração tem de ser legal, tem de ser organizada, tem de ser bem integrada”, defendeu.
“E, por isso, eu sou implacável contra a imigração ilegal e contra esse crime que muitas das vezes as pessoas praticam quer dentro de portas, quer fora de portas”, acrescentou.
Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.











