População de Alcácer do Sal une-se para apoiar famílias e negócios 

Perante o rasto de destruição provocado pelas cheias, a população de Alcácer do Sal, uniu-se numa onda de solidariedade, transformando fábricas em centros logísticos para apoiar as famílias e negócios locais afetados.

Na zona periférica da cidade alentejana, uma fábrica de pinhão tornou-se num armazém de recolha de bens essenciais para ajudar a população afetada. Sofia Rosa, uma das proprietárias da fábrica, encontra-se, juntamente com a irmã, Maria João Rosa, a coordenar, de forma voluntária, as doações, que são cada vez mais.

“Disponibilizámo-nos para ajudar a câmara municipal [de Alcácer do Sal] e a população. Já há mais na cidade, mas somos um ponto de recolha de bens essenciais que irão fazer falta às pessoas brevemente”, conta Sofia Rosa.

Os bens essenciais recebidos vão desde peças de vestuário até produtos de higiene. E a solidariedade tem sido tanta que as irmãs, que se mostram gratas pelas doações, até pediram às pessoas para esperarem um bocadinho, porque não estão a conseguir dar vazão aos muitos bens que recebem.

Um trabalho articulado entre o armazém, a Câmara Municipal e Junta de Freguesia de Alcácer do Sal, empresas e a população ajudam as inúmeras famílias afetadas pelas cheias que, desde a quarta-feira da semana passada, assolam a baixa da cidade e também povoações do concelho.

“Neste momento, os ‘kits’ [compostos por bens essenciais] são pequenos, porque o acesso às famílias ainda é reduzido, não há estradas, há aldeias em que o acesso é só de barco”, acrescenta Sofia Rosa. Nesses kits, enviam “o que é necessário, roupa de homem, o tamanho que vestem, os bens necessários de comida, a higiene pessoal”, sendo depois tudo colocado dentro de um saco levado aos serviços de ação social do município.

Ao longo do dia não param de chegar carrinhas com ajuda, vindas por exemplo de concelhos vizinhos, como Cabrela, no concelho Montemor-o-Novo, ou Carvalhal, no de Grândola. Pelo menos 20 pessoas ajudam no local, incluindo Madalena Mateus, que diz não conseguir estar em casa sem fazer nada e, por isso, decidiu pôr mãos à obra. 

“Foi uma ideia que surgiu destas pessoas que aqui estão, da Sofia, da Maria João, da Madalena e foi abraçar este projeto, porque acho que temos que ser uns para os outros e só juntos, com amor e com união, é que conseguimos reerguer esta cidade”, refere. 

Além deste casão, existe outro, destinado a recolher alimentação e produtos de limpeza, artigos que são mais necessários depois de as cheias passarem. Apesar dos dias difíceis causados pelas cheias e do infortúnio que o mau tempo fez ‘cair’ sobre Alcácer do Sal, as pessoas uniram-se solidariamente e ajudam-se umas às outras, mantendo sempre um pensamento positivo.

Outro exemplo desse laço de solidariedade é a angariação de fundos para ajudar os negócios locais que está a decorrer, iniciada por Maria Jones, uma das comerciantes que também viu o seu negócio afetado.

A angariação, que arrancou esta terça-feira, já reuniu “um valor significativo”, conta Maria Jones, acrescentando que a autarquia vai arranjar uma lista com o nome de todos os comerciantes afetados para, depois, o dinheiro angariado ser dividido de igual forma por todos.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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