Portalegre: António José Seguro promete veto político ao pacote laboral

Num comício em Portalegre, António José Seguro acusou o Governo de ter retirado a legislação laboral do debate político para favorecer Marques Mendes nas eleições presidenciais, defendendo igualmente soluções duradouras para a saúde que resistam aos ciclos eleitorais.

“Em relação à legislação laboral, mal teve a oposição do povo português foi retirada imediatamente do debate para depois das presidenciais, para ver se ajudava o candidato do Governo a chegar lá, às eleições”, disse António José Seguro num jantar-comício em Portalegre que juntou cerca de 350 pessoas, referindo-se implicitamente a Luís Marques Mendes, sem o citar.

A reunião plenária de Concertação prevista para 14 de janeiro, tendo em vista retomar as negociações sobre o anteprojeto do Governo de reforma da legislação laboral, foi adiada a pedido “de vários parceiros sociais”, não havendo nova data.

Seguro considerou que, quanto a este tema, foi “firme” e referiu que caso o anteprojeto do Governo chegasse ao Palácio de Belém e fosse Presidente, vetaria “politicamente” a proposta: “O que é que disseram os candidatos dessa concentração do poder [à direita]? Um disse que teria que ver e tal, mas no fundo o que é que disseram? Nada, para depois, naturalmente, promulgarem”.

Segundo António José Seguro, o país “avança na pluralidade” e “sempre que se tem em conta a maioria das opiniões do povo português e criando esse consenso para poder avançar”, algo que, voltou a referir, quer fazer no sector da saúde através de um pacto entre todos os partidos.

Em Portalegre, reiterou a defesa de “soluções duradouras” para a saúde, porque “têm de resistir” ao ciclo eleitoral: “Nós passámos a ter ciclos eleitorais muito curtos, de ano e meio em ano e meio, ou mesmo que seja dois anos em dois anos, ou dois anos e meio em dois anos e meio. Nós não podemos ter políticas para a saúde que estão sempre a mudar cada vez que muda um Governo”.

Para o candidato, os partidos “têm que se entender” sobre este tema: “Eu não estou a pedir aos partidos que eles abdiquem das suas opiniões e das suas posições ideológicas. O que lhes estou a pedir é um bocadinho de cada um para se encontrar uma solução forte, uma solução eficiente para que os portugueses possam ter saúde a tempo e horas e que não lhes fale o socorro e a emergência quando mais precisam”,.

Seguro referiu-se especificamente a vários problemas do sector como a “falta de profissionais de saúde, designadamente médicos”, que não conseguem ser atraídos para o Serviço Nacional de Saúde: “Tem que se pedir aos políticos que se concentrem no essencial. E o essencial são soluções duradouras. Soluções que possam resolver estes problemas de uma forma estável e de uma forma progressiva. Temos que ter carreiras mais atrativas. Não ter receio. Melhores salários para os profissionais de saúde, para os atrair”.

O candidato apoiado pelo PS apontou ainda a “outra dimensão onde é necessário aprofundar e criar soluções duradouras”, no caso a “organização e gestão” do Serviço Nacional de Saúde.

“Porque é que há unidades de saúde, as ULS [Unidades Locais de Saúde], que funcionam mal, quando se muda a administração passam a funcionar bem, e depois quando se muda novamente a administração, passam a funcionar menos bem ou a funcionar mal?”, questionou.

Para António José Seguro, isto “quer dizer que há soluções possíveis” mas, para isso, “é preciso haver liderança. É preciso haver coragem, muitas das vezes, de enfrentar gente que está acomodada”.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: José Coelho/Lusa

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