A moção — apresentada pelo PSD/CDS-PP na sessão ocorrida na noite da passada sexta-feira — foi aprovada com os votos a favor da coligação e do PS, enquanto CDU e Chega votaram contra e a Candidatura Livre e Independente por Portalegre (CLIP) se absteve. A assembleia municipal vai dar conhecimento da moção ao primeiro-ministro, Luís Montenegro; ao ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo; e aos presidentes dos municípios e às respetivas assembleias municipais do distrito de Portalegre.
Em documento, o grupo municipal do PSD/CDS-PP considera «de extrema relevância o acompanhamento e envolvimento dos municípios, nomeadamente através da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA)», sendo proposto que seja solicitada, através desta estrutura, uma reunião «com caráter de urgência» com o ministro Nuno Melo. Entre os principais argumentos, é destacada a «fragilidade gerada» para o setor agrícola pela transferência do Campo de Tiro da FAP, atualmente em Alcochete, para o concelho de Alter do Chão, anunciada pelo ministro da Defesa em 11 de março, devido à construção do novo aeroporto Luís de Camões, em Lisboa. «Para os agricultores potencialmente envolvidos, a expropriação dos terrenos não é aceitável, pois pode vir a significar perda de parte ou da totalidade da atividade», lê-se na moção.
A moção propõe ainda «reforçar os pedidos de esclarecimento» à tutela sobre o «grau de maturidade» do processo, e solicita à presidente da Câmara de Portalegre, Fermelinda Carvalho, eleita pelo PSD/CDS-PP, que, «através da CIMAA, obtenha toda a documentação existente no dossier em causa». Para os deputados municipais, «está em causa» a continuidade da atividade agrícola, a preservação de explorações construídas ao longo de gerações, «o sustento de muitas famílias» e a manutenção de uma economia rural ativa, considerada «fundamental» para o território. É reiterada também «a necessidade imperativa de esclarecimento documental e técnico que permita uma tomada de posição, que será sempre assente em critérios avaliados em sede da comunidade intermunicipal».
A possibilidade de instalação do campo de tiro configura «uma preocupação» para a região pelo impacto económico, social e ambiental que poderá ter no Alto Alentejo, nomeadamente por não serem conhecidos o enquadramento estratégico, estudos prévios ou documentos técnicos que fundamentem a decisão, nem a Avaliação de Impacte Ambiental associada ao projeto. Na mesma reunião de sexta-feira, a CLIP e o Chega apresentaram moções contra a eventual transferência do campo de tiro para Alter do Chão, mas as propostas foram chumbadas.
Texto: Alentejo Ilustrado c/Lusa
Fotografia: Tiago Petinga/Lusa











Uma resposta
Deixem o Alentejo em paz! Depois dos painéis solares, depois do abate maciço de sobreiros, depois da compra de milhares de hectares de terrenos agrícolas por parte de estrangeiros, e aqui a culpa é dos nossos “empresários”, que querem ter lucro no dia a segui ao investimento, vem o Sr. Luís e os amigos, com o campo de tiro…Pobre Alentejo!