Portalegre: Ventura ouviu o lamento de quem acha que está na eleição errada

No mercado de Portalegre, André Ventura ouviu o lamento de Isabel Veloso que o queria como primeiro-ministro e não como Presidente da República, numa interação onde a apoiante ainda puxou as orelhas a um deputado do Chega.

“Eu vou continuar [a apoiá-lo], mas não o quero como Presidente. Quero-o como primeiro-ministro”, disse Isabel Veloso, a vender naquele mercado há uns 15 ou 20 anos, durante uma arruada do candidato na capital de um distrito onde o Chega foi o partido mais votado nas últimas legislativas.

Na resposta, André Ventura recordou que já não é a primeira pessoa que ouve nesta campanha que lhe diz que o preferia como primeiro-ministro, mas vincou que a conquista da Presidência seria importante, face a exemplos na Europa de partidos que “ganham legislativas e não os deixam governar”.

“Acha que é por aí?”, perguntou Isabel Veloso, que apesar de pouco convencida com o argumentário, irá voltar a votar em André Ventura nas presidenciais – tem votado no Chega desde que o candidato era apenas deputado único.

Aproveitando a presença do também presidente do Chega, a comerciante pediu-lhe uma “conversa de 15 minutos em privado”, com André Ventura a prometer logo de seguida de que iria ter um convite para ir ao Parlamento, depois das eleições, por parte do deputado eleito por Portalegre, João Aleixo.

“Ele? Ele é um mentiroso! Sabe porquê? Quando foi nas outras eleições disse que voltava cá, que voltava cá, e nunca mais voltou. Têm de vir durante o ano”, protestou Isabel, com João Aleixo, na comitiva, a anuir e a garantir que irá “corrigir isso”. 

Apesar de tudo, Isabel diz estar “convencidíssima”, que André Ventura é “o candidato mais bonito”. Questionada sobre se isso chega para o voto, a comerciante afirmou que o candidato “tem uma maneira da falar, de dizer as coisas” em que se revê.

“Se eu tivesse menos dez ou 15 anos a gente falava…”, disse Isabel a Ventura, acompanhado pela primeira vez nesta campanha pela mulher.

Aos jornalistas, a comerciante desvalorizou o cargo de Presidente da República.  “O que é que faz? Veta quando pode vetar, deita abaixo um Governo, quando entende que depois de muita coisa tem que o deitar abaixo. Não é isso que nós precisamos”, disse.

A mulher de 65 anos, com uma filha emigrada, considerou também que André Ventura “não está bem rodeado”, defendendo que o líder do Chega precisaria de pessoas “que acrescentassem valores aos que ele tem”. 

Sobre o porquê de se rever tanto no candidato presidencial, Isabel resumiu: “Ele é refilão e eu também sou refilona. Aquilo que eu tenho para dizer não mando por recado”.

Já André Ventura remeteu para “a consciência” do presidente do PSD e primeiro-ministro uma decisão sobre um eventual apoio à sua candidatura, num cenário de segunda volta que o oponha a António José Seguro.

“Eu não quero socialistas em lugar nenhum do país. Vai ser a consciência de Montenegro a decidir se numa segunda volta prefere ter alguém que não é do partido dele, mas que conseguiu trabalhar com ele em muitos diplomas fundamentais em prol do país, ou se quer ter um socialista que nós combatemos, que nós tentámos derrotar e que nós tentámos evitar que fosse Governo. Vai ser uma questão de consciência”, defendeu o candidato.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: Tiago Petinga/Lusa

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