Portefólio de Cabrita Nascimento – A vila que floriu nas Festas do Povo

Um olhar do fotógrafo Cabrita Nascimento, editor de fotografia da Alentejo Ilustrado, sobre as ruas floridas de Campo Maior durante as Festas do Povo, onde a decoração feita pelos moradores se cruza com os rostos de quem visita e celebra.

As Festas do Povo voltaram este ano a transformar Campo Maior num cenário de cor, engenho e participação coletiva. Durante dias, ruas inteiras ganharam novos rostos, cobertas por milhares de flores de papel, arcos, figuras e motivos decorativos concebidos e executados pelos próprios moradores. Mais do que um acontecimento festivo, esta tradição assenta num trabalho comunitário prolongado, feito de dedicação, criatividade e segredo, até ao momento em que as ruas se revelam ao público.

Inscritas desde 2021 na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, as Festas do Povo afirmam uma identidade profundamente ligada à vila e à capacidade de uma comunidade se mobilizar em torno de uma criação comum.

É esse encontro entre património, festa e quotidiano que Cabrita Nascimento, editor de fotografia da Alentejo Ilustrado, procura fixar neste portefólio. O olhar do fotógrafo percorre as ruas decoradas, detém-se nos detalhes, acompanha os visitantes e regista os momentos de convívio que dão vida à festa. Nas suas imagens, a exuberância das flores de papel cruza-se com a escala humana do acontecimento: pessoas que observam, conversam e celebram uma Campo Maior reinventada pela imaginação coletiva.

Nas imagens, a festa surge como prolongamento natural da vida de rua. Sob uma cobertura de flores amarelas e brancas, um grupo reúne-se em redor de uma mesa, entre conversa, comida e gestos quotidianos. A decoração ocupa o espaço, mas não se sobrepõe às pessoas: enquadra-as e integra-as num cenário que conserva a intimidade doméstica, mesmo perante a presença de visitantes. Cabrita Nascimento capta aqui uma dimensão essencial das Festas do Povo — a rua transformada em sala comum, lugar de encontro e partilha.

Noutra fotografia, o olhar abre-se sobre uma rua quase totalmente coberta por flores de papel, onde uma longa mesa reúne moradores e visitantes. A composição conduz a vista em profundidade, acompanhando a sucessão dos elementos decorativos e das figuras humanas. A densidade visual da ornamentação contrasta com a espontaneidade das conversas e dos movimentos, revelando uma fotografia atenta simultaneamente à dimensão cénica da festa e à forma como ela é vivida por quem ocupa o espaço.

Há também lugar para imagens mais silenciosas e individuais. O retrato de uma mulher à porta de casa, enquadrada pela decoração da rua e pela luz oblíqua do fim do dia, aproxima a reportagem de uma dimensão mais íntima. A ligeira inclinação do enquadramento, as sombras projetadas no chão e a repetição dos motivos florais criam movimento e profundidade, enquanto a presença da moradora devolve à festa o seu sentido mais humano. Mais do que documentar a decoração, Cabrita Nascimento regista quem habita estes lugares e quem, em última análise, lhes dá significado.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Partilhar artigo:

ASSINE AQUI A SUA REVISTA

Opinião

ALENTEJO CARTOONADO
por Rui Pimentel

O ALENTEJO DE SARAMAGO

CARLOS LEITÃO | Crónicas

<b>BRUNO HORTA SOARES</b><br> É p'ra hoje ou p'ra amanhã

Caro? O azeite?

PUBLICIDADE

© 2026 Alentejo Ilustrado. Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por WebTech.

Assinar revista

Apoie o jornalismo independente. Assine a Alentejo Ilustrado durante um ano, por 48,00 euros (IVA e portes incluídos)

Pesquisar artigo

Procurar