«Pouvoir»: companhia belga põe marioneta a desafiar o poder, em Évora

A companhia belga Une Tribu Collectif apresenta hoje e amanhã, às 21h00, no Teatro Garcia de Resende, em Évora, «Pouvoir», espetáculo de marionetas premiado na Bélgica e em França em que uma marioneta se revolta contra quem a manipula.

Integrada na programação de Évora_27 – Capital Europeia da Cultura, a criação recorre, segundo a Associação Évora 2027, entidade organizadora das duas sessões, ao «humor, o absurdo e a participação dos espectadores para questionar o poder, a manipulação e o funcionamento da democracia». Apresentado em francês, com legendagem em português, o espetáculo tem conceção e encenação de Cécile Maidon, Noémie Vincart e Michel Villée, que são também os intérpretes.

A história parte de uma marioneta «farta de representar incessantemente um espetáculo de que não gosta» e que pretende, «finalmente, escolher o seu próprio destino». Para o conseguir, terá de enfrentar os três marionetistas que lhe dão vida e que, diz a organização, «não estão dispostos a abdicar das suas funções».

O conflito «transforma-se numa sucessão de negociações, promessas e disputas» e, quando os protagonistas deixam de se entender, o público é chamado a pronunciar-se. A pergunta feita aos espectadores resume, segundo a mesma fonte, uma das ideias centrais da criação: «Podemos sonhar com outro sistema?».

Em palco estão três intérpretes, uma marioneta, uma mesa e alguns acessórios. À medida que a ação avança, os manipuladores «deixam de ser figuras secundárias e transformam-se em personagens». A própria técnica de manipulação, que exige três artistas coordenados, ganha, nas palavras da associação, «uma dimensão dramatúrgica», e as relações entre os intérpretes, a distribuição de tarefas e a hierarquia entre eles «tornam-se parte da discussão sobre quem exerce o poder e quem tem legitimidade para decidir».

Estreado em janeiro de 2023, no Théâtre de la Balsamine, em Bruxelas, «Pouvoir» passou depois pelo Festival de Liège e pelo Festival Off de Avignon. Em 2023, recebeu o Prémio da Ministra da Juventude nos Rencontres Théâtre Jeune Public de Huy, na Bélgica, e, no ano seguinte, o Prémio do Júri Júnior do Festival Momix, em França.

A crítica acompanhou o percurso. Diane Delangre, da estação pública belga RTBF, notou que ali «não há quarta parede, mas uma boa dose de humor» a acompanhar a reflexão sobre o poder. Em França, Mathieu Dochtermann, da revista La Terrasse, considerou-o um espetáculo «tão inteligente como divertido, tão poético como político».

A marioneta e a cenografia são de Valentin Périlleux, a composição sonora de Alice Hebborn e a iluminação de Caspar Langhoff. A produção é da Une Tribu Collectif — que reúne os atores e marionetistas Michel Villée e Noémie Vincart —, com produção delegada do Théâtre de la Balsamine e coprodução de estruturas belgas e francesas, entre as quais três centros nacionais de marionetas de França, e conta com o apoio da Federação Valónia-Bruxelas.

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