PP vence na Extremadura espanhola. Socialistas sofrem derrota histórica

O Partido Popular (PP) venceu as eleições autonómicas realizadas hoje na Extremadura, em Espanha, enquanto o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) obteve o pior resultado da sua história nesta região, até há pouco tempo considerada um bastião socialista.

O PP alcançou 42,3% e elegeu 29 deputados, mais um dos que tem atualmente, mas aquém dos 33 necessários para uma maioria absoluta no parlamento autonómico da Extremadura.

Já o Partido Socialista (PSOE) tinha 25,7% dos votos e 18 deputados, menos cerca de 14 pontos percentuais e menos dez deputados do que conseguiu nas eleições anteriores, em maio de 2023.

Este é o pior resultado de sempre e uma derrota histórica do PSOE na Extremadura, região até há poucos anos considerada um feudo socialista, que o partido governou em nove das 11 legislaturas autonómicas (sete delas com maioria absoluta) e em que só numas das eleições (as de 2011) não tinha sido o mais votado.

A terceira força mais votada foi o Vox, de extrema-direita, com 16,9% dos votos e 11 deputados, nos dois casos mais do dobro da votação que teve em 2023 (8,13%) e dos eleitos há dois anos (cinco).

Nunca a direita e a extrema-direita tinham tido uma representação tão grande no parlamento da Extremadura, depois de terem em 2023 conseguido, pela primeira vez, superar o conjunto de todos os partidos de esquerda.

Além do PP, PSOE e Vox, mais um partido conseguiu eleger deputados para o parlamento autonómico da Extremadura, a Unidas pela Extremadura, uma plataforma de forças à esquerda dos socialistas, que tinha 10,3% dos votos (mais 4,5 pontos percentuais do que em 2023) e sete deputados (mais três).

Estas eleições antecipadas na Extremadura, nas vésperas do Natal, foram convocadas no final de outubro pela presidente do governo autonómico desde 2023, María Guardiola, do PP, depois de ter visto chumbados os orçamentos para 2026 que enviou ao parlamento regional.

Guardiola, que se recandidatou, está à frente da Junta da Extremadura desde o verão de 2023. Nesse ano, o PSOE foi o mais votado e o PP o segundo, mas obtiveram o mesmo número de deputados (28), com um acordo com o Vox a ditar que seria a direita a ficar com o governo.

As eleições na Extremadura marcam o início do novo ciclo eleitoral em Espanha e a estas autonómicas seguir-se-ão outras em fevereiro de 2026 em Aragão, em março em Castela e Leão e em junho na Andaluzia; eleições municipais e regionais na maioria das regiões em maio de 2027 e, por fim, legislativas nacionais em julho do mesmo ano.

A importância destas eleições para as estruturas nacionais dos partidos ficou patente nos últimos dois meses e em todo o período de campanha eleitoral, em que houve presença assídua pouco habitual dos líderes na Extremadura, em diversas iniciativas, incluindo Pedro Sánchez.

As eleições de hoje coincidiram com um momento de crise e fragilidade do PSOE e de Pedro Sánchez, com dirigentes do partido envolvidos em suspeitas de corrupção e outros casos judiciais, assim como acusações de assédio sexual.

Com pouco mais de um milhão de habitantes em 2024 e 41.635 quilómetros quadrados, a Extremdura, na fronteira com Portugal (com o Alentejo e a Beira Interior) é a quinta maior região autónoma de Espanha em superfície e, a par de Castela e Leão, a que tem menor densidade populacional (25,30 habitantes por quilómetro quadrado), fazendo parte da designada “Espanha vazia”.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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