Prémio distingue proposta de museu para revitalizar pedreiras de mármore

A dissertação de mestrado “Memória do Negativo. O Museu da Paisagem e do Património no Anticlinal de Estremoz”, da arquiteta Sofia Soares, foi distinguida com o prémio internacional “The Architecture Master Prize”, destacando-se pela proposta inovadora de criação de um museu e de uma estratégia integrada de valorização do património natural, cultural e industrial associado ao mármore.

O reconhecimento internacional incide sobre um projeto que propõe uma nova abordagem ao património industrial do mármore, articulando arquitetura, paisagem e memória coletiva, com particular enfoque na criação do Museu da Paisagem e do Património como elemento estruturante de uma estratégia mais ampla de revitalização territorial.

Segundo a informação associada ao prémio, o projeto foi distinguido “pelo carácter inovador e pela clareza das soluções propostas”, integrando “infraestruturas, percursos interpretativos e equipamentos de investigação e lazer”, numa lógica de experiência cultural e arquitetónica diferenciada. A proposta procura reforçar “a consciência sobre o mármore como recurso natural e cultural”, estabelecendo uma ligação entre “o passado industrial e novas oportunidades de desenvolvimento sustentável e de exploração histórico-patrimonial do território”.

A investigação foi desenvolvida no Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), com o apoio da Rota do Mármore, do PHIM – Património Histórico e Industrial do Mármore, e do Centro de Estudos Cechap, sob a supervisão de Guilherme Lago Guimarães Machado Vaz.

No centro da dissertação está a proposta do Museu da Paisagem e do Património, concebido como resposta à ausência de equipamentos museológicos dedicados à leitura integrada do território do Anticlinal de Estremoz e à necessidade de dar um novo uso às pedreiras desativadas ou em fim de exploração. Conforme a própria autora sintetiza, “a presente dissertação de mestrado tem como tema principal a potencialização do património natural, cultural e arquitetónico do Anticlinal de Estremoz a partir da sua matéria-prima – o mármore – e da revitalização das pedreiras de onde este é extraído”.

O trabalho procura, simultaneamente, responder a desafios demográficos e económicos da região, ao assumir como objetivo “contribuir para a dinamização territorial e económica de uma região com população envelhecida” e enfrentar questões relacionadas “com o ordenamento do espaço natural, urbano e da atividade extrativa”, através de “uma estratégia projetual fundamentada em critérios de sustentabilidade, a diferentes níveis”.

Numa primeira fase, a dissertação estrutura-se a partir de um plano estratégico orientado para o desenvolvimento de um turismo de carácter cultural e industrial, assente na valorização do Anticlinal de Estremoz por meio de “infraestruturas, nos percursos e nos equipamentos de carácter lúdico, cultural e de investigação”. É neste enquadramento que surge, como peça central, a proposta do Museu da Paisagem e do Património, aprofundada como tema individual.

De acordo com Sofia Soares, “este projeto pretende corrigir a falta de equipamentos museológicos e dar uma nova vida às pedreiras do Anticlinal de Estremoz, através de uma experiência cultural e arquitetónica”, assumindo o mármore não apenas como recurso económico, mas como elemento identitário e estruturante da paisagem e da memória coletiva da região.

Texto: Alentejo Ilustrado | Ilustração: D.R.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Partilhar artigo:

ASSINE AQUI A SUA REVISTA

Opinião

CARLOS LEITÃO
Crónicas

BRUNO HORTA SOARES
É p'ra hoje ou p'ra amanhã

Caro? O azeite?

PUBLICIDADE

© 2026 Alentejo Ilustrado. Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por WebTech.

Assinar revista

Apoie o jornalismo independente. Assine a Alentejo Ilustrado durante um ano, por 30,00 euros (IVA e portes incluídos)

Pesquisar artigo

Procurar