Comentando o desmantelamento de uma rede de exploração de imigrantes, que incluía elementos da GNR e PSP, Eugénia Quaresma salienta que existe um “défice de confiança crescente” entre os imigrantes em relação ao Estado e à sociedade e criticou o ataque recorrente aos mais frágeis desta cadeia.
“O lado positivo desta notícia é que estas redes continuam a ser investigadas”, mas o “lado sombrio é que isto torna o tráfico tão difícil de apanhar”, porque “anula as redes de confiança” que deveriam existir entre o Estado e os imigrantes.
Em Portugal, estas “redes criminosas aproveitam-se da fragilidade das pessoas e da sua vulnerabilidade”, num contexto em que o “discurso de alguns políticos é de diabolização dos imigrantes e não sobre a fragilidade do sistema” de regulação, acrescenta. “Ao estarem nesta cadeia de exploração elementos das forças de segurança aumenta a desconfiança dos imigrantes e de quem está mais vulnerável”.
Para Eugénia Quaresma, é necessário “voltar à escola e aprender o que é a educação com caráter” para retomar a “confiança que não pode estar minada”. Porque “o alvo não pode ser o migrante, o alvo tem de ser as teias criminosas que se vão construindo em torno da fragilidade” e “temos de combater a pobreza e a miséria e não à custa de quem é mais frágil”.
Para isso, é necessária uma “justiça que funcione, não apenas na organização e nos tribunais, mas no terreno, com leis justas e princípios de dignidade humana”.
Hoje foram detidas 17 pessoas, entre os quais 10 militares da GNR e um elemento da PSP, numa operação da Polícia Judiciária (PJ) que desmantelou uma organização criminosa, que controlava centenas de trabalhadores em Beja, Portalegre, Figueira da Foz e Porto, estando em investigação crimes de auxílio à imigração ilegal, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais.
Em causa, segundo as autoridades, está uma organização criminosa que controlava centenas de trabalhadores estrangeiros, a maioria em situação irregular em Portugal.
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