Para Tiago Braga, o distrito tem sido tratado «sobretudo como um território de compensação», em torno de conceitos como coesão territorial, interioridade e perda demográfica, quando «a verdadeira questão económica é outra: que estratégia permanente existe para atrair investimento produtivo para a região».
A resposta, admite, «continua a ser desconfortável. Existem diagnósticos, programas, incentivos e candidaturas. Mas falta uma estrutura profissionalizada».
O responsável é preciso quanto ao que propõe: «não mais um gabinete institucional sem consequência prática, mas um instrumento económico com equipa técnica especializada e uma missão clara: identificar, preparar e disputar oportunidades de investimento».
A região, argumenta, possui «vantagens reais: proximidade ao mercado espanhol, disponibilidade de solo, custos operacionais competitivos, potencial energético, base agrícola, ensino superior e qualidade de vida», dispondo ainda de «espaço para acolher projetos que hoje enfrentam limitações e custos elevados nas zonas metropolitanas».
Mas Tiago Braga avisa que «os ativos, por si só, não geram desenvolvimento». «O investimento não chega porque um território merece. Chega quando encontra previsibilidade, informação estruturada e capacidade de resposta», escreve, lembrando que «quando essas respostas não existem — ou chegam tarde — o capital escolhe outro destino».
O centro que propõe deveria «mapear terrenos, zonas industriais, infraestruturas, energia, água, formação e instrumentos de apoio», identificar setores prioritários e «construir uma carteira concreta de oportunidades de investimento em áreas como agroindústria, energia, logística ibérica, turismo qualificado ou indústria ligeira».
A estrutura envolveria municípios, a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Alentejo, a CCDR do Alentejo, o Nerpor, o Instituto Politécnico de Portalegre e a administração central, mas com «uma condição essencial: menos reunião e mais execução. Menos cerimónia institucional e maior capacidade para contactar empresas, preparar informação útil e acompanhar investidores».
O presidente do Nerpor relaciona diretamente a ausência de investimento com a perda demográfica: «sem investimento produtivo, continuaremos a discutir a demografia como se fosse inevitável. Não é. As pessoas permanecem onde existem oportunidades, emprego qualificado e perspetiva de futuro». E conclui que a criação do centro «representaria um sinal importante de maturidade estratégica: deixar de esperar por oportunidades e começar, finalmente, a disputá-las».












