Produção de vinho atinge o nível mais baixo da última década 

A produção de vinho em Portugal caiu para o nível mais baixo da última década, pressionada por condições meteorológicas adversas e problemas fitossanitários ao longo da campanha, cenário que está a levar o sector a reforçar medidas de gestão de excedentes e promoção.

De acordo com a primeira estimativa das “Contas Económicas da Agricultura – 2025” do Instituto Nacional de Estatística, apesar de a produção de vinho – uma das principais produções agrícolas nacionais, a par do azeite, – ser este ano “a mais baixa da última década, espera-se a obtenção de vinhos de qualidade, com níveis de açúcar equilibrados e boa concentração aromática”.

Para contrariar este decréscimo, “o setor e as entidades reguladoras estão a implementar estratégias que se focam na resiliência climática, gestão de excedentes e valorização comercial”, indica a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

Entre estas inclui-se a implementação de tecnologias para monitorizar o stress hídrico e a saúde das plantas em tempo real, a adoção de práticas que preservam a humidade do solo e otimizam o uso de água, a utilização de fundos para retirar “milhões de litros de vinho do mercado e transformá-los em álcool industrial, ajudando a escoar os stocks acumulados” e o lançamento de planos governamentais específicos. 

Acresce o aumento do preço médio, o investimento de cerca de oito milhões de euros em mais de 80 ações promocionais para abrir novos mercados e incentivos para diversificar as fontes de rendimento dos produtores, através do turismo. 

“Estas alternativas visam transformar o ano de 2026 num ponto de viragem, focando-se na rentabilidade e sustentabilidade a longo prazo, em vez de apenas na quantidade produzida”, explica a CAP. 

A Confederação recorda que, durante a campanha, observaram-se vários fatores que contribuíram para o decréscimo da produção, como a instabilidade meteorológica, que potenciou o desenvolvimento de doenças fúngicas.  No verão, as ondas de calor provocaram danos fisiológicos, que foram particularmente evidentes em parcelas não irrigadas e em vinhas implantadas em encostas ou áreas com maior exposição à radiação solar direta.

Ainda de acordo com a CAP, o sector enfrenta desafios ao nível da comercialização, com dificuldades em escoar os stocks acumulados nas campanhas anteriores: “Esta situação exerce pressão sobre os preços à produção, condicionando a rentabilidade e a viabilidade económica das explorações vitivinícolas”. 

Contudo, a Confederação liderada por Álvaro Mendonça e Moura indica que a descida da temperatura, após os episódios de calor extremo, permitiu maturações mais homogéneas, “potenciando indicadores qualitativos adequados para a produção de vinhos de elevada qualidade”.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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