Projeto da Universidade de Évora estuda perda muscular e envelhecimento

A Universidade de Évora apresentou o projeto ALSarco, uma iniciativa de investigação que pretende estudar a perda progressiva de massa muscular no Alentejo, identificar precocemente situações de risco e desenvolver estratégias de intervenção junto da população, sobretudo nas idades mais avançadas.

O projeto resulta de uma parceria entre a Universidade de Évora, através de investigadores do Comprehensive Health Research Centre (CHRC), a Farmácia dos Álamos e a empresa de nutrição clínica Danone Nutricia. O objetivo é aproximar a investigação científica da realidade das populações e desenvolver estratégias de identificação precoce e de intervenção na comunidade.

A sarcopenia, caracterizada pela perda de massa muscular, força e desempenho físico, é atualmente considerada um desafio crescente para a saúde pública, sobretudo em regiões com elevado envelhecimento populacional, como o Alentejo. Estima-se que cerca de metade das pessoas com mais de 80 anos sejam afetadas por esta condição.

Sob coordenação científica do CHRC da Universidade de Évora, o projeto combina diferentes abordagens, incluindo a avaliação da prevalência da doença, programas de exercício físico, apoio nutricional e acompanhamento de participantes na comunidade.

Segundo Armando Raimundo, diretor do Comprehensive Health Research Centre da UE e responsável científico do projeto, o estudo pretende contribuir para uma melhor compreensão do problema na região. “A sarcopenia é um dos atuais desafios da saúde pública, estando associada à perda de massa e força muscular ao longo do envelhecimento e ao aumento do risco de quedas, fragilidade e perda de autonomia”, explica.

Para o investigador, o projeto mostra também a importância da colaboração entre diferentes setores. “Esta articulação entre academia, setor empresarial e estruturas de proximidade à comunidade representa um exemplo claro de como a cooperação estratégica pode gerar soluções concretas para problemas de saúde pública. Sem estas parcerias não seria possível transformar o conhecimento científico em impacto real na comunidade”, afirma.

Armando Raimundo destaca ainda a dimensão humana da investigação: “É a dimensão humana que dá sentido aos projetos de investigação. Queremos não apenas identificar casos, mas compreender os diferentes fatores associados à sarcopenia e desenvolver intervenções que contribuam para melhorar a qualidade de vida da população”.

De acordo com a UE, o ALSarco distingue-se por ser desenvolvido em contexto real, envolvendo rastreios realizados na comunidade e o acompanhamento de pessoas com mais de 60 anos. Neste processo, a farmácia dos Álamos assume um papel central na identificação precoce de situações de risco e na articulação com investigadores e profissionais de saúde.

Na fase inicial do projeto foram já realizados 300 rastreios junto da população. Numa etapa seguinte estão previstos novos rastreios, cujos resultados serão avaliados pela equipa de investigação responsável pela validação científica dos casos identificados e pela eventual integração dos participantes em programas de acompanhamento.

Para Pedro Amaro, sócio-gerente da farmácia dos Álamos, a iniciativa reflete a evolução do papel das farmácias na promoção da saúde. “A farmácia deixou de ser apenas o sítio da doença e da cura. Hoje, o grande desafio já não é apenas tratar a doença, é adiá-la e passa por prevenir a doença e atuar cada vez mais cedo na identificação de fatores de risco na comunidade”, refere.

Segundo o responsável, o objetivo é contribuir para uma vida mais longa com autonomia. “É garantir que vivemos mais anos com autonomia e qualidade de vida. Aquilo que a ciência designa como compressão da morbilidade: reduzir o tempo vivido com incapacidade e dependência no final da vida”, afirma.

Marta Costa, diretora do Departamento Médico da Danone Nutricia, destaca o caráter inovador da iniciativa. Enquanto grande parte da investigação científica é “realizada em ambientes controlados”, este projeto “traz a inovação de desenvolver conhecimento em contexto real, atuando diretamente junto da comunidade e aproximando a ciência das necessidades concretas das pessoas”.

Fonte universitária sublinha que o ALSarco pretende estimar a prevalência da sarcopenia no Alentejo e aprofundar o conhecimento sobre os fatores associados à sua progressão, contribuindo para o desenvolvimento de programas de intervenção que integrem exercício físico orientado e apoio nutricional.

Ao conjugar investigação científica, prática clínica e proximidade comunitária, os responsáveis consideram que o projeto pode contribuir para melhorar a qualidade de vida da população e produzir conhecimento relevante sobre um problema cada vez mais associado ao envelhecimento.

Texto: Alentejo Ilustrado | Fotografia: D.R.

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