Projeto ibérico quer tornar escolas de Portalegre mais resilientes ao clima

Quatro escolas de Portalegre e pelo menos duas em Espanha vão integrar um projeto de cooperação transfronteiriça para transformar os seus edifícios em infraestruturas «energeticamente eficientes e resilientes» às alterações climáticas, num investimento superior a 1,5 milhões de euros.

Em comunicado, o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV), com sede em Coimbra, refere que o projeto Bioscool pretende contribuir para a implementação de soluções que visam transformar edifícios educativos da Euroace (Alentejo–Centro–Extremadura).

O projeto, que ainda não tem definidas as escolas piloto, mas que estarão localizadas em zonas onde os verões são cada vez mais longos, quentes e secos, como Portalegre, pretende tornar os edifícios «mais eficientes, confortáveis e preparados» para os impactos das alterações climáticas.

O Bioscool integra o Programa de Cooperação Interreg Espanha–Portugal (POCTEP), com um orçamento global de mais de 1,5 milhões de euros, e é «financiado maioritariamente» pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Fonte do CTCV adiantou que o projeto, que decorrerá até ao final de 2028, conta inicialmente com três zonas piloto, duas em Espanha e uma em Portugal.

Do lado espanhol, está prevista uma zona piloto em Cáceres, que pretende desenvolver estratégias bioclimáticas e materiais de mudança de fase, sendo Badajoz a segunda zona, com o projeto a centrar-se em materiais de baixo impacto e renováveis.

A terceira zona será no concelho de Portalegre, com a integração de energias renováveis e gestão energética em quatro edifícios.

O consórcio é composto por nove parceiros, integrando a parte portuguesa o CTCV, a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alentejo Central e os municípios de Coimbra e Portalegre. Por Espanha, integram o consórcio a Intromac, que lidera o projeto, a Junta da Extremadura, a Fundecyt-PCTEX, a Diputación de Badajoz e a Pymecon.

O Bioscool pretende apostar na adaptação climática das escolas, combinando estratégias bioclimáticas, como ventilação natural e sombreamento, e criando materiais inovadores de mudança de fase para estabilização térmica.

As soluções baseadas na natureza, como a renaturalização de pátios e fachadas verdes, a integração de energias renováveis e a monitorização ambiental em tempo real das salas de aula, são outras das apostas.

De acordo com os promotores, o «impacto esperado» passa por reduzir consumos energéticos e emissões de CO₂ em edifícios educativos e melhorar o conforto térmico de alunos e professores, combatendo episódios de calor extremo.

O Centro é parceiro na «avaliação e implementação das estratégias», sendo responsável por «ensaios e testes, desenvolvimento tecnológico e coordenação dos pilotos» em território português.

O município de Coimbra é, por sua vez, «parceiro facilitador» nas ações de «diagnóstico, workshops, capacitação e replicabilidade», ao passo que a CIMAC estará envolvida na «monitorização, apoio técnico e integração das estratégias de adaptação climática» à escala regional.

O município de Portalegre será responsável pela implementação do piloto português, «integrando soluções renováveis e novos modelos de gestão energética» em quatro edifícios educativos.

Texto: Alentejo Ilustrado/Lusa | Fotografia: D.R.

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